Acho que nunca mais vou escrever tão bem quanto antes. Não que eu escrevesse tão bem assim, mas algo me virou de cabeça pra baixo e todas as palavras que eu tinha que dizer pro resto da vida foram pelo ralo. Tive que aprender a falar de novo.
Aprendi a pensar de um jeito novo. Eu quero voltar. Eu sinto vontade, mas eu tenho medo. Nunca mais vou sentir como sentia antes, e aquelas palavras, mesmo que eu as escreva novamente, nunca mais vão significar a mesma coisa. Meus amigos não são mais o mesmo, e nem o amor que eu sinto.
O amor que eu sinto não é mais cheio daquela incondicionalidade. É uma merda, porque meu conceito de amor é algo sem limite. Se meu eu de dois anos atrás lesse sobre esse meu amor, acharia um conceito deturpado. Eu descrevo de outro jeito pra não dizer que não amo nada; porque talvez eu nunca tenha nem chegado perto disso. Talvez tudo que eu já presenciei que fosse parecido ao menos com amor, não tenha passado de um relance; nem comparável com a plenitude dessa coisa que tanto falam.
Eu sou tão jovem e não sei de nada, mas, será que eu gostaria de saber?
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Seus pais te deixaram
Amargo como o boldo
No meio do lixo
No meio da rua
No meio da lua
Entrei no beco
Do medo
Encontrei os palhaços
Que tiraram todo riso que puderam
Escondi o que era mais delicado
Violado como a encomenda
Da minha mãe
Sem coragem pra contar
Ferro.
Nasci mas morri logo
Dormi no berço de ouro dos reis
Caí em desuso
Nunca quiseram que eu abrisse os olhos
Mas tive de fazê-lo antes mesmo de ter olhos
Me tiraram.