sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Destempero

Brenda é uma pessoa desequilibrada.
Nas segundas-feiras parece que a vida é outra.
Nas terças tudo volta a ser como antes.
As quartas-feiras são um vazio.
Quintas são ótimas pra absolutamente nada.
Sextas são até que divertidas. 
Sábados quando não são agoniantes são solitários; às vezes solitários e agoniantes.
Domingos são dolorosos.

Janeiro é sempre terrível.
Fevereiro não importa.
Março.
Abril.
Maio: inferno.
Junho: ugh!
Julho: fim do ciclo.
Agosto.
Setembro.
Outubro.
Novembro.
Dezembro: cinismo. 

Dá pra dizer que eu não gosto de nada, mas o nada gosta de mim. 

sábado, 25 de janeiro de 2014

Palhaços

Acho que nunca mais vou escrever tão bem quanto antes. Não que eu escrevesse tão bem assim, mas algo me virou de cabeça pra baixo e todas as palavras que eu tinha que dizer pro resto da vida foram pelo ralo. Tive que aprender a falar de novo.
Aprendi a pensar de um jeito novo. Eu quero voltar. Eu sinto vontade, mas eu tenho medo. Nunca mais vou sentir como sentia antes, e aquelas palavras, mesmo que eu as escreva novamente, nunca mais vão significar a mesma coisa. Meus amigos não são mais o mesmo, e nem o amor que eu sinto.
O amor que eu sinto não é mais cheio daquela incondicionalidade. É uma merda, porque meu conceito de amor é algo sem limite. Se meu eu de dois anos atrás lesse sobre esse meu amor, acharia um conceito deturpado. Eu descrevo de outro jeito pra não dizer que não amo nada; porque talvez eu nunca tenha nem chegado perto disso. Talvez tudo que eu já presenciei que fosse parecido ao menos com amor, não tenha passado de um relance; nem comparável com a plenitude dessa coisa que tanto falam.
Eu sou tão jovem e não sei de nada, mas, será que eu gostaria de saber?

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Seus pais te deixaram
Amargo como o boldo
No meio do lixo
No meio da rua
No meio da lua

Entrei no beco
Do medo
Encontrei os palhaços
Que tiraram todo riso que puderam

Escondi o que era mais delicado
Violado como a encomenda
Da minha mãe
Sem coragem pra contar
Ferro.

Nasci mas morri logo
Dormi no berço de ouro dos reis
Caí em desuso

Nunca quiseram que eu abrisse os olhos
Mas tive de fazê-lo antes mesmo de ter olhos
Me tiraram.



Castanhos

Me sinto invisível.
Até mesmo inexistente.

Não queria que importasse tanto assim
Eu to fugindo de apego
Eu to me escondendo de qualquer coisa que pareça bonita
Eu to querendo sumir de todo amor

Vocês não entendem o medo
Vocês não entendem a vontade de morrer
Vocês não entendem a indiferença forçada
Vocês não entendem o interesse mascarado

O tempo todo me vêm à mente tudo que eu perdi
O tempo que eu joguei tudo escada abaixo 
O tempo que eu não escondi nada
O tempo em que me humilhar era rotina

Ninguém sabe mais do que eu
Que ser invisível dói mais do que ser odiado.

Ninguém sabe mais do que eu
Que a vida não corre tão rápido pelas veias.

Ninguém sabe mais do que eu
Que tudo não passa de uma farsa.