Não quero ter que fazer compras no mercado. Não quero ter que saber o que fazer quando for limpar uma casa. Não quero ter que limpar uma casa. Quero que se foda a culinária. Não quero saber. Não quero ter que saber. Por que eu "tenho" que saber? Hein? Eu não tenho que saber de nada além do que eu queira saber. Eu sei que não é assim, mas é assim que eu quero que seja. Por que eu não posso aprender só o que me interessa? Por que eu não posso ver só que me interessa agora sem nem conhecer o que eu to perdendo? Eu não to perdendo se eu não conheço. Isso não existe. Isso não faz nenhum sentido.
Tanta regra e a gente acaba no mesmo lugar. Tudo diferente, extraordinário dentro do comum. Tudo é comum e tudo é extraordinário. "Como você espera ter uma vida comum quando tem tantos dons extraordinários?" São comuns para alguém. Tudo é comum. Eu sempre faço tudo ficar comum, entediante, monótono. Por que eu sempre faço isso? Talvez porque eu seja uma pessoa comum. Talvez eu não seja e busque o conforto de sê-lo.
O momento de paz tem durado e eu não consigo mais planejar nada. Eu não tenho mais medo. Por que eu não tenho mais medo? Será que eu nunca mais vou ter medo? Será que eu sempre vou mudar tanto assim? Será que eu vou passar meses com em mais algum momento da minha vida? Será que eu vou ficar idiota? Será que um dia eu vou parar de me questionar tanto e vou só rir de como eu era inocente? Será que eu ainda sou inocente? Eu devo ser. Não sei se quero parar de me questionar, porque eu acho divertido esse meu jeito de lidar com as coisas; ou de tentar lidar e só acabar com milhares de perguntas em aberto. Perguntas que eu vou resolvendo com o tempo e que nem nunca percebo.
Eu podia cair no sono e acordar num mundo diferente. Isso tudo podia ser um sonho e os sonhos podiam, na verdade, ser a vida real. E se a gente não existe de verdade? E se for tudo sonho de alguém? Como é que a gente pode ter tanta certeza de que é real?