domingo, 27 de outubro de 2013

Não vá

   Eu quero ir embora daqui.
   Não do lugar físico, mas de onde eu estou mentalmente. Não aguento mais ser vítima do que eu penso, me deixar controlar por algo que não sou eu. Não sou eu. A culpa não é minha.
   Eu tenho quem me ajude, mas não tenho a ajuda dessa parte. Eu quero mudar, quero ser tudo que eu conseguir, mas essa parte que me comanda não quer ser ajudada. Ela quer me destruir, ver tudo que eu tenho de bom se esfarelar na minha frente. O que eu posso fazer? Não tenho força nenhuma, não tenho coragem, não tenho disposição pra levantar e dizer que já chega. Todas as manhãs eu acordo derrotada, como se tivesse guerreado contra mim mesma mentalmente. O que não deixa de ser verdade. 
   Eu serei condenada pelos fantasmas de quem eu já fui. Ele vão me incomodar até não sobrar rastro de sanidade na minha cabeça, vão virar do avesso todos os meus conceitos e me enlouquecer. O meu maior medo é perder a razão, mas será que eu já não a perdi há muito tempo? O que eu faço tem que ser regrado, não consigo viver sem rotina, mas minha cabeça me pede liberdade e eu não sei como conter o que eu sinto. 
    Não aguento ouvir gente brigando, gritando, empurrando os problemas pra debaixo do tapete; mas como eu posso questionar algo que eu também faço? Não querer voltar pra terapia por medo de desenterrar os problemas, por medo de mergulhar em mim mesma e descobrir o que não queria; por gritar com todo mundo quando o dia ta horrível, por adiar decisões e fugir de tudo que dói ou pode doer. Meu corpo virou mero instrumento da minha mente que me tortura, minhas mãos e penas são inquietas, não consigo sorrir por muito tempo, não consigo nem chorar. Não sei controlar o que eu como, como eu durmo; não sei controlar o que eu faço e ão consigo evitar me machucar. Não é vício, é impulso. É como chorar diante de uma situação emocionante, como rir quando algo foi engraçado ou quando se está alegre. Eu me machuco quando fico agoniada. É isso ou comer.
   Eu preciso do meu espaço, preciso ver as coisas com olhar mais livre. Eu sou livre, mas o que eu penso não condiz com quem eu sou. Me sinto hipócrita, mas como não me sentiria? Não quero fazer o que querem que eu faça, só quero fazer o que me der vontade. O maior incômodo não é não fazer, é não ter a opção, ser privado de escolha.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

21/10/2013

Eu lembro como deixei tudo jogado ali na sua porta, esperando que você cuidasse bem de tudo, recolhesse, guardasse com carinho. Eu me lembro de como exigi que me desse algo que nem possuía, eu me lembro de tudo

domingo, 20 de outubro de 2013

Escola

Será que eu vou morrer?
Ou será que vou correr?
Não serei mais a mesma pessoa
Nunca mais

Nunca sou a mesma pessoa
Nem em dois anos, nem em dois minutos
Eu rasgo todos os limites do tempo
Pra não deixar que passe

Essa tranquilidade de esperar passarem os séculos
Sem nem perceber as eras diferentes
Juntar todas as forças pra viver
No meio da morte da música


Entendo as orações, mas nego todas
Entre o que sei e o que não sei, escolho o que não existe
Porque só e sei
O quanto ainda não sei

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Câncer

De um dia normal eu faço o inferno
Nos milhares de presentes que existem no passado
Eu habito sem remorso 
De perder meu tempo

Eu perdoo as falhas
Perco as chances de escolher
Derramo as oportunidades e recolho as lembranças
Como quem rejeita a eternidade no paraíso

Entre um gole e outro do líquido
Ouço as vozes de sempre e de nunca mais
Preciso que me ensinem
Preciso que me criem do nada que me tornei

Sorrio e choro no mesmo ato
Encontro meus pertences em frente ao lar
Ao lar dos outros que um dia fui e não mais serei
Recolho os restos de almas indigentes

Percorro a mesma estrada mil e oitocentas vezes
Escrevo os mesmos versos como se nunca os tivesse mencionado
Minhas pernas tremem
Escadas e mais escadas e nenhum meio