Eu quero ir embora daqui.
Não do lugar físico, mas de onde eu estou mentalmente. Não aguento mais ser vítima do que eu penso, me deixar controlar por algo que não sou eu. Não sou eu. A culpa não é minha.
Eu tenho quem me ajude, mas não tenho a ajuda dessa parte. Eu quero mudar, quero ser tudo que eu conseguir, mas essa parte que me comanda não quer ser ajudada. Ela quer me destruir, ver tudo que eu tenho de bom se esfarelar na minha frente. O que eu posso fazer? Não tenho força nenhuma, não tenho coragem, não tenho disposição pra levantar e dizer que já chega. Todas as manhãs eu acordo derrotada, como se tivesse guerreado contra mim mesma mentalmente. O que não deixa de ser verdade.
Eu serei condenada pelos fantasmas de quem eu já fui. Ele vão me incomodar até não sobrar rastro de sanidade na minha cabeça, vão virar do avesso todos os meus conceitos e me enlouquecer. O meu maior medo é perder a razão, mas será que eu já não a perdi há muito tempo? O que eu faço tem que ser regrado, não consigo viver sem rotina, mas minha cabeça me pede liberdade e eu não sei como conter o que eu sinto.
Não aguento ouvir gente brigando, gritando, empurrando os problemas pra debaixo do tapete; mas como eu posso questionar algo que eu também faço? Não querer voltar pra terapia por medo de desenterrar os problemas, por medo de mergulhar em mim mesma e descobrir o que não queria; por gritar com todo mundo quando o dia ta horrível, por adiar decisões e fugir de tudo que dói ou pode doer. Meu corpo virou mero instrumento da minha mente que me tortura, minhas mãos e penas são inquietas, não consigo sorrir por muito tempo, não consigo nem chorar. Não sei controlar o que eu como, como eu durmo; não sei controlar o que eu faço e ão consigo evitar me machucar. Não é vício, é impulso. É como chorar diante de uma situação emocionante, como rir quando algo foi engraçado ou quando se está alegre. Eu me machuco quando fico agoniada. É isso ou comer.
Eu preciso do meu espaço, preciso ver as coisas com olhar mais livre. Eu sou livre, mas o que eu penso não condiz com quem eu sou. Me sinto hipócrita, mas como não me sentiria? Não quero fazer o que querem que eu faça, só quero fazer o que me der vontade. O maior incômodo não é não fazer, é não ter a opção, ser privado de escolha.