quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

By summer it was all gone

   Queria um dia acordar e ver que algo depende de mim. Que há coisas que podem ser modificadas se eu levantar ou deixar de viver naquele dia. É todo dia uma derrota sem luta nenhuma, porque não há pelo que lutar. Não depende de mim, não vai mudar de curso se eu insistir ou só decidir não levantar naquele dia. Aliás, naquele e em todos. Dizem que a gente nunca é totalmente independente, mas não dá pra pensar que algo depende de mim. É a sensação de nunca fazer falta, de que nada seria diferente se não estivesse aqui. É mais do que impotência, é tipo invalidez, superficialidade. Só qualquer coisa desnecessária. 
   Cada dia tem seu peso e sua frustração, mas nunca é livre disso. Parece que nunca nenhum tipo de alegria momentânea ou surpresa podem anular essa carga. É como os dias serão lembrados, porque as coisas boas eu tenho facilidade em esquecer. Não tenho culpa, é só algo com que me acostumei.
   Se mudasse, se deixasse de fazer o que faço, deixasse de frequentar os lugares que frequento, deixasse de ver as pessoas que vejo, deixasse de vestir o que visto, deixasse de ouvir o que ouço, o que mudaria? Faria diferença pra alguém? Só pra mim. E por algum motivo muito idiota e ridículo, eu não tenho capacidade de viver só por mim. Não consigo pensar que é só isso, que a minha felicidade depende só de mim, que eu consigo sozinha. Eu nunca consegui, e eu nunca pensei valer o suficiente pra que alguém vivesse por mim, nem mesmo eu mesma. Não gosto, mas não consigo pensar de outra forma.
   Tem quem diga que "ah, não consigo é coisa de gente pessimista", não discordo, mas vou fazer o que? "Você tem que mudar", é claro que eu tenho que mudar, mas agora? Hoje? Amanhã? Ano que vem? Não é assim. Nunca foi assim. Toda mudança foi lenta, e sempre doeu. Mas só fez diferença pra mim.
Ninguém nunca vai perceber o esforço, nunca vai perceber o quanto eu dedico tempo, o quanto eu penso e repenso milhões de vezes pra dizer qualquer coisa, por mais simples que seja. Eu busco as melhores formas de fazer tudo pra não machucar os outros, mas e eu? Quem dera alguém se vigiasse por mim. 

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

k

   É sempre sem marcar horário. Não dá tempo de piscar, de respirar, de construir algum tipo de barreira. É um castigo pra punir um inocente, um cego e um suicida. Era posto num quarto escuro, trancado, fazia de tudo para abrir a porta; um dia se conforma e, sempre que é castigado, espera que passe o tempo da punição. Há dias em que a porta não mais é trancada, nem sequer fechada. Mas permanece ali, como se houvesse algo real que o prendesse, algo além da própria mente. Castigando a si mesmo, com a consciência de uma culpa que não o pertence. Uma culpa que fizeram-no acreditar ser sua. A responsabilidade por todo sofrimento. 
   Não era bonito, não inspirava poesia, não inspirava nada mais do que pena. Ninguém gosta de sentir pena. Era a solidão que transbordava dos olhos cansados e inchados; o meio sorriso que quase nunca ficava inteiro; a perda de tudo, dos outros, de si. Deve ser porque ninguém nunca tem o que precisa, quer sempre mais, se afunda em desejos impossíveis, em ambições fúteis, em medos, naturalmente, paralisantes. 
   Não havia muro nenhum, nem travas, nada físico que impedisse o início de uma vida, de uma liberdade plena. Só medo. E parecia tão grande. Questão de valência e potência; coisa de gente que dá importância demais ao subjetivo, gente que sofre de verdade e se permite sofrer, mostra pra todo mundo que sofre, não se importa com nomes, não se importa com julgamentos, mas sofre por incompreensão. Sofre por tudo que existe e pelo que nem foi criado. É tudo mais difícil, porque é pessimismo, misturado a temor, ansiedade, angústia, solidão, dor, insuficiência, insegurança, é um amontoado de coisas. Dói enquanto vive. 

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

For as long as you're here, we're not

   Era um dia comum, mas foi nesse dia que ela decidiu. Seria outra pessoa. Bem, talvez seria apenas quem realmente era. Pra começo de conversa, ela nunca soube quem era de verdade. Tudo ficava cansativo, entediante, sufocante. Muito a aprender em tão pouco tempo. E ela estava tão sozinha. A maneira como a olhavam era tão crítica, rígida, e ela nunca entendia o porquê. Imaginava, e sempre concluía que não era boa o suficiente; havia algo ali que, definitivamente, tinha que mudar. O medo e a dor pingavam de seu rosto e ninguém se dignava a secá-los.
   Então ela pensou numa mudança. Não viria dos outros, porque não havia fé nos outros. A mudança viria dela, e então, ela o fez, ela mudou. Ela deixou que a escuridão a abraçasse, porque não havia outro lugar que fosse tão pacífico e perturbador o suficiente para que pensasse claramente. Ela queria sumir perdendo todo traço de humanidade que pudesse condená-la, inclusive o que restava da esperança. Dispensável. 
   E não dava pra sentir falta daqueles. Eles nunca importaram, de qualquer forma. Não compreenderiam e não veriam romantismo nenhum. Só ela conhecia a sensação de estar "limpa", livre do que pudesse pesar no corpo, na mente, na "alma" de que ela nem tinha certeza. Nem respirava pra não correr o risco de inalar a vida. Pra que ela precisaria de uma vida?
   Havia dias em que ela queria que tudo fosse diferente, mas ah, pra que? Tinha praticado, já conseguia se enrolar em si mesma e entrar no lugar mais profundo do buraco que tinha no peito. Era confortável ficar lá e se consumir em qualquer momento de fraqueza. Não era seguro, disso sabia, mas era o melhor que pudia buscar; o mais confortável que podia conseguir. O ódio era tanto. Nem sabia de onde poderia ter vindo, quem poderia tê-lo criado, quem será? Era monstruosa a vontade de se destruir, mas parecia tão bonita!       Algumas noites sem dormir, algumas gotas de sangue no chão, algumas dores, hm, um segredo. Um segredo que guardava como sua vida, bom, não como sua vida, porque sua vida não tinha importância alguma. 
   Não dava pra negar que chorava todos os dias, que as manchas no corpo não eram acidentes, que o sorriso  raríssimo não era marca de personalidade.
Era só dela a situação, a culpa também. Podia ser mais forte, ter mais posição frente aos outros, não se deixar influenciar por nada, não ouvir aqueles demônios. Mas não tinha jeito consigo mesma, teria como com os outros? 
   Um deles a tratava tão bem. Era sentir qualquer indisposição, culpa, vontade de morrer, que estava tudo lá. Toda a aparelhagem pra fazer a dor pingar e escorrer pelo ralo. Um escape. Uma dor por outra. No fim, não doía mais nada, não tinha barulho, não tinha cheiro, era só fraqueza. Acabava dormindo. 
Aumentava as doses pra voltar a sentir algo, porque, mesmo que não sentisse dor, era perigoso não sentir nada. Ia se aliviar com o que, afinal? Não há nenhum respeito. 
Já que não havia mais nada, não faria sentido continuar com isso. E com mais nada. Bom, faria sentido tentar de novo. E de novo. E aumentar as "doses". Perder a conta. Perder tudo. Fim. 

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Look at me, I am old


All the times that I've cried
Keeping all the things I knew inside
And it's hard, but it's harder
To ignore it
If they were right I'd agree
But it's them they know, not me
Now there's a way and I know
That i have to go away
I know I have to go

domingo, 9 de dezembro de 2012

Ah

   Eu sei que ta aqui, Ta aqui... em algum lugar. Mas ta aqui! Eu passo alguns dias sem nem lembrar que perdi e em outros eu procuro incessantemente, como se minha vida dependesse de encontrar. Não sei aonde deixei! Não posso fazer nada. Nunca mais vi, nunca mais chamei, nunca mais toquei em assunto nenhum que pudesse abalar esse equilíbrio. Equilíbrio nada, ta mais pra inércia. 
   Você vê de tudo, mas nem deve ficar me observando mesmo. Tem tanta coisa melhor pra ver, tantos lugares melhores pra visitar, tanta gente mais divertida e mais certa de si mesma por aí. Eu e a minha mania de me comparar. 
   Me disseram que eu não tenho passos firmes, e eu percebo isso mesmo. Eu sempre observo demais onde vou pisar, me preocupo se vai dar tudo certo, mesmo quando não tenho nada a perder. Afinal, eu não tenho nada mesmo. E eu não sei se algum dia fui diferente disso, não sei, talvez quando criança, talvez fosse diferente. Não me lembro. Se um dia você esteve aqui de verdade, bom, aqueles dias foram diferentes. De um jeito bom. 
   Se você voltar um dia, não esquece de juntar tudo de volta. Tem uma bagunça que eu não consigo colocar fim, porque não sei onde começa nem onde termina. Você devia me ajudar, mas eu nem lembro do teu nome pra pedir socorro. 

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Desnecessário mas

"Não faça isso!"
"Não faça aquilo!"
"Não olha!"
"Não responde!"
"Não vira as costas enquanto falo com você!"

 O medo tem várias explicações. Pode ser decorrente de um trauma, de uma influência, de uma incapacidade descoberta há muito e às vezes nem lembrada. Várias origens e, em mim, sempre paralisa. Não olho nem pros lados, não faço questão nem de proferir palavra nenhuma, nem grito, nem tento proteger o rosto com as mãos. É tudo muito falso mesmo. Eu vou tentar lutar contra essa "coisa" que me impede de fazer tudo que tenho vontade e sempre perco, porque é pesado demais, e, talvez não por fraqueza, mas por despreparo, perco tudo que fui juntando das outras vezes. É sempre um recomeço, como se tivesse apertado "reset" sem querer, e, embora seja um recomeço, continuo me lamentando pelo anteriormente ocorrido. Nada compensa o tempo perdido. Ou dedicado, tanto faz, dá na mesma.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

O gigante com medo de agulha

   Era um dia como todos os outros. Um dia sem doces nem cerimônias. O céu parecia entediado, mas não se incomodava a ponto de mudar; assim como todo mundo. Bom, ao menos ele não era vazio, cheio apenas de si mesmo. Até que as mãos dos artistas resolveram discordar de tudo. A sanidade dos que passavam pelo centro era perturbada por aqueles movimentos secos, rudes, porém tão estupidamente emotivos. A revolta de um povo incompreendido, que parecia nunca fazer questão de receber compreensão, porque era ciente da insipiência dos céticos, mas que necessitava de dedicação, como todo ser humano. Ainda que em sua excentricidade e romantismo, há sempre a inocência e a carência de uma criança; há vários mundos diferentes acomodados nos olhos de um alguém qualquer, que passa discretamente, dificilmente fazendo diferença na rotina de alguém. Se soubessem a diferença que fazem.
   Não é tão difícil assim parar para ouvir, o problema é querer ver. O mais bonito que existe, não tem prova visual. Sensações e sentimentos não podem ser vistos, descritos com fidelidade, arrancados, implantados. Assim seria muito fácil, mas tão tedioso. É exatamente como essas pessoas no centro: não têm nome, não têm rosto, não têm endereço, não têm história pra quem não se atenta a isso. São apenas pessoas. E você, e eu, e todo o resto. São apenas pessoas. Pessoas que sentem tanto que não sabem explicar; e as que não sentem, e as que fingem não sentir. São apenas pessoas. Sem o "apenas".

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

O espinho prateado de rosas sangrentas

"Agora eu entendo o que você tentou me dizer
E como você sofreu por sua sanidade
E como você tentou libertá-los
Eles não ouviriam, eles não saberiam como
Talvez eles ouçam agora
Pois eles não podiam te amar
Mas ainda assim seu amor era verdadeiro
E quando não havia mais esperança
Naquela noite estrelada
Você tirou sua vida como amantes comumente fazem
Mas eu poderia ter te dito
Que esse mundo não foi feito para pessoas bonitas como você"

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Rain of disease

There's something I need and it's all over my face
There's no pain, no hate, just a void
There's nothing that can fill this lack of compassion
There's nothing to erase the stains
There's no way to remove me from the darkness that prevails
Alone and fearless swimming in my own blood and tears
Drowned by the sorrow of these hell-like years
Replace my hands with razor blades and make me touch my eyes
Tear apart the body, to erase the soul from pain
And I could have anything, but it's a choice,
To end or to begin, to beg or to give in
Up and down the hill.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Dias

   Não me adianta de nada tentar descobrir as coisas. Quanto mais eu penso, mais me dói pensar. Não quero ver nada, só quero ficar aqui me ocupando com qualquer coisa, porque, sei lá, não faz sentido. Nada nunca vai fazer sentido e eu sempre vou me apegar a algo do qual eu não tenho certeza. Se tinha, não tenho mais tanta. Acordo todo dia com a razão falha, com a sensação de um dia frágil, em que eu posso sofrer as consequências dos erros alheios e ser o escape pra alguma dor ou ira. Eu sinto aos montes e não consigo não sentir, fingir, ignorar. Já ignorei por anos, já fugi, fingi e não sei muito bem o que sou a partir disso. É um trabalho árduo e o suporte não é forte o suficiente. Afinal, que suporte? Nem é ser ouvida que preciso. Às vezes só não ser questionada; apoiada de primeira, só pra variar.
   Não recebo indiferença; é mais desrespeito, vontade de machucar. É uma casa, mas não é um lar. É um cômodo cheio de espinhos, como numa sala de tortura, em que a gente deve ficar em silêncio. Só se pronunciar quando perguntam, pra não correr o risco de falar demais e morrer mais um pouquinho. O único lugar que devia me pertencer e me abrigar parece a pior sala do inferno. Devia ser um lugar do qual eu não quisesse sair mais do que viver. Não dá pra não olhar pros lados, desde que qualquer coisa parece melhor. 
   Ninguém se olha nos olhos pra falar, ninguém nunca se reúne pra nada que não seja desagradável. Um dilacera o outro como se o mesmo não sangrasse. É uma guerra em que ninguém vê sangue, e finge não saber que ele jorra, escorre, mancha todos os cômodos por onde passa. Dá pra ver as manchas nas paredes, no piso, no teto, nas cortinas. Presos dentro de si mesmos, dentro de uma instituição que deveria significar o "nirvana", mas é muito mais "samsara" do que qualquer coisa. 
   Disseram que eu tenho força, mas força é algo relativo. É difícil ser forte quando a gente vê quase tudo. Num rosto que ninguém observa há tanta coisa; tanta coisa que ninguém dá atenção, mas que diz tanto. Há vários caminhos, várias escolhas, vários mundos. Há mil pessoas que uma pessoa pode ser. Há uma pessoa que mil pessoas podem ser. É doloroso ver mil pessoas em uma só, e ver que dessas mil, ela escolheu ser a pior. Não me adianta muito enxergar e não poder levantar da minha caverna e fazer algo; ainda se fosse totalmente acomodada, não me incomodaria tanto. Costume.

domingo, 25 de novembro de 2012

Gritos

   Tinha marcado os passos e observaria todo lugar que pisasse, mas não foi possível. Em algumas horas perdia o rumo daquela trilha sombria, saía da zona de conforto e precisava procurar algum lugar para esperar a escuridão passar. Não havia como compreender aonde chegaria, porque não conhecia sequer de onde vinha. Pisava naquelas pedras pontiagudas e me feria, mas não podia parar, porque minha vida dependia daquilo. E que vida? Eu tinha tudo, mas por dentro, sempre por dentro. Guardava um demônio e um anjo, o primeiro sempre dominando o segundo, e dominando o que eu fazia. Eu me mataria.
   A todo tempo ouvia vozes e mais vozes, sempre as ouvia, mas nunca aprendera a realmente escutá-las. Talvez nem me importassem. Eu sempre senti frio e nunca soube controlar impulsos. Era um movimento aqui, e já tinha outro ali, sem que eu nem percebesse que me movera. Eu me mataria. Como poderia um homem controlar sua mente, se não podia nem censurar seu corpo? Já flagrara-me nas piores situações, sem meu comando, e quem comandava era ele; sempre ele. Não dizia-me o que fazer, não pedia permissão, ele tinha o controle. Eu odeio tê-lo sobre mim, mas que posso fazer?
   São batalhas e mais batalhas, mas como vencer com mãos perdedoras? Meu corpo não é boa arma de guerra, e não quero doá-lo para tal. Só um jovem miserável, crente de que o que o perturbava era si mesmo. Acho que consigo ver hoje que ninguém se odeia. Pena que todas as vezes que fico sozinho, eu quero morrer. Sozinho, sempre sozinho. Sozinho. Eu a quero de volta. Aquela. Que eu não conheço. Que não existe. Eu odeio o jeito como ela me julga. Não dá pra entender nada não é?
   Eu tenho pena às vezes, mas tenho mais pena de mim mesmo. Afinal, ninguém sente mais dor do que eu. Dor. "Dod". Legal.
   Eu queimo num inferno que eu mesmo construí. Numa cama de pregos que perfuram minhas costas. Sangue e mais sangue. Por fora não dói, é por dentro. O problema nunca é por fora. Porque falta coragem, é isso. Por isso. Eu me mataria. Mas não a ele.

Feliz aniversário

   Você não sabe de nada. Você não sabe meu nome. Você não sabe o dia do meu aniversário. Você não sabe o nome do meu perfume. Você não sabe da minha miopia. Você não sabe do meu desgosto. Você não sabe meu apelido de infância. Você não decorou minha expressão. Você não entende o que me dói. Você não conhece a minha música. Você não me tem como importante. Você não me conhece. Você não sabe da fraqueza. Você não sabe do medo. Você não conhece a mania. Você não sabe da rotina. Você não lembra do dia. Você não lembra da noite. Você nunca me viu chorar. Você nunca me viu sorrir. Você nem sabe que eu existo. Você nunca me ligou. Você nunca pediu pra me ver. Você nunca me abraçou. Você nunca me fez rir. Você nunca me olhou nos olhos. Você nunca me escreveu nada. Você nunca foi presente. Você nunca me perdeu. Você nunca procurou. Você sabe que espera. E eu também.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Make it home

I was about to go and look at the face I've missed so much, just to see what the past has kept away from me for so long. Some things I should have seen, some I shouldn't, but now I can only look at the sky, the only one who's not static on it's eternity.

sábado, 17 de novembro de 2012

Stay an unbeliever

   Eu não quero crescer. Eu não quero morrer.
   Odeio todo esse peso desnecessário que eu carrego. Doem-me os ombros, as costas, os olhos. É a mesma história um milhão de vezes. Me submeter ao que eu sinto, quando eu posso usar uma razão que nunca me machucou. "Ah, mas você tem que se arriscar." Arriscar e perder tudo. Dizem que faz mal, que vicia, que a gente nem vê e já foi. Já foi o tempo, já sumiu tudo que tinha cara de oportunidade de ser feliz, já foi tudo embora e a gente ficou preso numa condição ridícula de subsistência. A gente é muito burro mesmo.
   Tanta gente pra ver, tanto lugar pra ir, tanto sabor pra provar, tanto aroma pra sentir. E a gente sempre quer os mesmos rostos, os mesmos cômodos, os mesmos temperos, os mesmos perfumes. É irritante essa necessidade de constância. Mais um comodismo disfarçado. Preguiça de conhecer coisas novas, de apreciar o que a gente nunca viu e pensa ser cruel. Medo. "É só isso que presta, porque disso eu tenho garantia". Como eu queria poder mudar isso.
   Penso as coisas mais estúpidas. Não vejo a hora do ano mudar, do tempo mudar, do pensamento mudar. De querer algo um pouco menos, de querer algo um pouco mais. Não vejo a hora de me livrar disso. Só atrapalha qualquer chance de "novo" na vida. Medo, medo, medo. Páginas e mais páginas sobre medo. Páginas e mais páginas sobre... nada. Páginas e mais páginas de ideias frustradas. Páginas e mais páginas de um vazio infinito.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Eu tanto faço

  Há um mundo todo nesse rosto. Não, não um mundo, vários; infinitos mundos nesses traços que tão poucos conservam na mente. Tem pouco valor, algumas marquinhas que não tiram a imponência, só a acentuam. Tem um mar de dor nos olhos e a cor ratifica. É de uma luminescência falsa, de um véu demasiado delgado, cintila, mas nunca completamente. Não caminha, pulsa. Não percorre, vaga. Por medo, por falta de perdão. Não entende de música, não entende de letras, não entende de cultura; entende de cuidado, entende de manejo, entende de carinho. Para os outros, coisas de pouco valor, porém seu único tesouro. Ela passa dias sentada à frente da máquina, cosendo a dignidade e o futuro que desconhece. Afinal, quem é conhece as vontades desse nosso Pai?
   Eles todos foram embora. Chegaram como uma ilusão de felicidade eterna, dormiram debaixo de seus verbos e de suas mãos. E se foram como fumaça. Deixaram com ela as lições, mas com quem as usaria agora? Se não tinha ninguém a quem ensinar... Conformava-se com o tempo cruel, ajeitava o colarinho do mesmo, ainda que este lhe pisoteasse a face. As flores e os frutos tomaram outros rumos, sem deixar semente nem aroma. Ilusão de cor, ilusão de amor. Um calorzinho seguido de gelo. Sensação de pertencer e de ser arrancado de si mesmo.
   O que podia fazer a velha senhora? Pedia piedade, pedia renascimento, pedia paz. Mas já não era pacífica a sua existência? Sem preocupações, sem medo do futuro, sem expectativas... Então, sem frustrações? Toda de frustrações. Ela tinha sonho de ser o que mesmo? Ela algum dia teve um sonho? Só conheceu o casamento, a si mesma que era bom, nada. Era um nada. Marcas de um sofrimento entorpecedor, porque "era assim mesmo", "como deveria ser". Afinal "bom viver, não é?" Sorria e pintava o rosto com os conselhos que recebia de um vazio. Acompanhava os passos de uma tirania que lhe sorria de vez em quando e lhe agradava os olhos, não importasse o franzido na testa. Pela primeira e única vez na vida, tinha sido escolhida, mesmo que pelo diabo. Pelo menos ele sorria.
   Criava imagens e as despia de rancor, como sempre, a vida era boa. A teoria de um filme hollywoodiano, cheio de cores, cheio de amor, cheio de família. "Ninguém gosta de gente com problemas", realmente, pensava, ninguém gosta. Era feliz como uma criança no parque de diversões, às vezes feliz como uma criança no dia de seu aniversário, às vezes só uma criança mesmo. Nunca buscou rasgar a inocência, porque ela era bonita, e, por que o faria? O mundo é tão belo aos olhos de uma criança. Dizem que fica ainda mais bonito quando se envelhece... Dizem que até os problemas ganham romantismo. Ninguém sabe, ah, ninguém nunca sabe.
   Um dia ela acorda, esquece de pôr a mesa e desanda.

And there's no room in this hell

   I swore to myself I could take it, you know? I never actually thougt I'd be through this. I won't get what I need, neither will you, I mean, why would you need all of this? I mean, why would anyone need anything from me? I'm moving forward really fast and I'm trying to take the right path, just like a game I've never played before, but it gets tough. Every time it feels like I get out of the road and need to restart. That's how it's always been. You've always been a waste, but you've been songs, you've been tears, you've been writing, you've been strenght, you've been black, white, blue, red, pink, yellow. You've been yourself so hard it scares me.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Maldito costume

   Tem coisa que não dá pra escrever. Nem compensa gastar as palavras pra buscar um significado concreto. Tem coisa que só sabe doer, não sabe inspirar. É irremediável, não tem como mexer aqui e ali, consertar. Pode ser tudo, comigo, pelo menos, mas nada incomoda mais do que essa impotência. Essa coisa densa demais que me prende numa inércia dolorosa. Desde quando? Não dá pra ver o que a gente não pode sem tentar e se frustrar, mas, nossa, pra que tanta "liçãozinha"? Que saco. "Ah, vai ficar tudo bem, você ainda vai rir disso." não to rindo, sabe? Não to rindo de nada. Na verdade eu odeio os dias em que fico otimista. Odeio mais do que tudo essa sobra medíocre de felicidade humana que eu tenho. Se ao menos eu conseguisse parar de me iludir e pensar que, nossa, realmente, eu vou "rir" disso. Não dá vontade de nada além de sumir. Sumir de verdade, pra nem quem é próximo me encontrar. Fugir dos outros, das coisas e de mim. De mim seria um sonho sumir. 
   É ridículo ter que me submeter a esse incômodo, a buscar isso ao invés de esquecer, evitar. Todo momento que eu tenho algo bom pra agradecer, só penso em quando vai acabar. Meio que me preparo, mas eu nunca to preparada. Não dá vontade de falar, não dá vontade de andar, não dá vontade de comer, muito menos de escolher as palavras pra escrever. Só acho que tenho que tirar pelo menos algo bom disso. Me conhecer? Como se adiantasse. Maldita hora em que eu fui... nada. 

domingo, 11 de novembro de 2012

Ouro, fogo,... algodão-doce

   Tem um período em que tudo parece permanente. Não chega a ser uma calmaria, mais algo fixo mesmo. Algo que nunca vai embora, nunca parte completamente, mas não por nunca ir, mas por sempre voltar. É de um brilho e ao mesmo tempo de uma sobriedade incompreensíveis. Não há como decifrar as cores. Ela cobre tudo por onde passa, deixa tudo nessa tonalidade que confunde; não se sabe se dia ou se noite. Ela ilumina todo canto, mas não avisa que vem escuridão. Ilude. Quer o controle de tudo, e sabe que ninguém a para, a não ser o mandante. Não tem medo, não tem cicatrizes, não se frustra. Frustra os outros, sabe como, porque é intocável. Se entristece por isso? Será? Tem nas mãos todos os desejos e sonhos da terra, tem sobre si os olhos dos poetas e de um apaixonado qualquer. Não precisa temer. Ela sabe que nunca perderá seu papel.
   Vagarosamente alguém chega e a subordina. Seus domínios antes tão certos e intocáveis são submetidos a um forte aquecimento. Algo surge da coragem e abala a certeza. Ela duvida por alguns segundos que terá o que sempre teve, há o medo de perda. Mas ele a acalma; embora tenha todos os artifícios para dominar o que queira, ele decide que esperar é o certo. Fica tudo intermediário. Laranja. Ele podia tomar para si o que é seu por direito, mas foi tão nobre esperar o tempo dela; tão gentil esperar que se acalmasse.
     Ela consegue resistir por alguns segundos, mas ele é tão persuasivo! Ela sabe que deve ir.
   Ele a vê partir e não permite que olhe para trás. Há algo sobre o tempo que não permite que se acomodem em seu espaço; não foram feitos para passar por ele juntos. São funções demasiado divergentes; ela ilude, ele clareia a visão... ou faz com que a mesma fique mais turva ainda. Os pedaços deixados por ela são maculados pelo fogo, pelo cheiro de vermelho, sangue, ardor. Ele fecha as portas e domina o que não é seu; ele se lembra. 
   Alguém ainda luta para vingá-la. Vem com olhos doces e muita calma, mas se impõe. Fecha os olhos dele com as pequeninas mãos, e ele adormece ao aroma de sua voz. O início. Ou o fim. 

sábado, 10 de novembro de 2012

Sit there thinking on your velvet throne



   Meu maior medo era que você fosse como eu. Bom, eu pensava que fosse meu maior medo, mas, na verdade, o meu maior medo era que você fosse quem é agora. É tão fácil te virarem do avesso se quiserem.   É tão cru o seu pensamento, tão bruto e tão inerte. Queria que você visse as coisas por si, mais de perto, mais claramente, sem essa nuvem turva de insipiência à frente dos seus olhos. Tão bom se a gente pudesse se unir e se a gente conseguisse se comunicar melhor. Se eu tivesse mais paciência, se você tivesse mais seriedade. Eu tenho tanto medo do que eles podem fazer com você.  Ninguém é confiável, mas você precisa de alguém; é paradoxal, e toda vez que eu começo a falar sobre isso você finge que não é importante. É importante demais, e ainda sou feliz por você não saber dessa importância. Me deixa segura quando vejo o quanto você é "naïve". Não tem medo porque não conhece perigo. Não se sente inseguro porque nunca passou por situações que te exigissem segurança. No fundo eu te invejo um pouco. Essa falta de profundidade, essa coisa de conseguir se preencher com tão pouco. Como eu queria isso de volta! O problema é que eles te dobram e desdobram, ditam o que deve fazer e você faz. Você desconsidera o que é mais importante, por falta de instrução: mas uma instrução que, embora muito importante, você rejeita. Será uma defesa do subconsciente? Porque eu sei que noção dos riscos você não tem.
   Você se sente bem em meio a coisas que agridem, mas não faz ideia do que são. Você canta as letras, mas não sabe o que significam. Queria que você visse tudo que ta perdendo, entende? É tanta beleza, tanta sinestesia, umas catarses absurdas! Não sei se é só algo meu, não sei mesmo se to querendo que você seja igual a mim, mas isso é natural do ser humano, não é? Queria que você visse, só isso. Tem tantos olhos pra você admirar, tantos sorrisos pra ganhar, tantas vozes pra te fazer perguntas absurdas. Você tem tanto tempo pra conhecer lugares que nem imaginaria que significariam algo. Tem muita coisa fresca. E você tem quinhentas camadas; nada te sensibiliza. Será que isso é certo? Só queria que você sentisse um pouco mais. Embora sentir doa, é o que te faz humano, e, embora eu odeie essa condição, eu tenho que me agarrar a ela pra não desistir. 

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Maior das décadas

É como se as coisas ficassem claras e mais claras a cada segundo. As cores se revelam em tonalidades diferentes, parece tudo mais vivo. E quando eu tinha certeza? Bom, nada parecia rude o suficiente para abalar o que eu sentia. Dá vontade de correr pro ontem e segurar no primeiro poste que encontrasse, como se o tempo não pudesse me carregar se me agarrasse a algo bem fixo. Algo bem resistente aos movimentos de tudo. Daria pra ver tudo passando em volta, tudo escorrendo pelos meus dedos, o vento balançando no meu cabelo e levando embora o que eu tinha que presenciar. Será que eu tinha que presenciar mesmo?
Fico pensando se lembra de mim. Faz tantos verões, tantos fôlegos, tantos cortes de cabelo. A gente andava sempre junto, sempre recolhendo as falas um do outro e guardando em alguma caixa colorida; eu ainda tenho a minha. Tinha tempos em que carregávamos nos braços por onde passávamos, tempos em que olhávamos pra um passado e pensávamos em como era bom. E hoje não existe caixa nenhuma. O que eu não faria pra te ver de novo.
Todo mundo sempre foi mais maduro e mais certo das coisas do que eu, e você foi a primeira pessoa que fez com que eu realmente visse isso. Não me mostrou, mas eu vi. Foi a primeira vez que não me senti boa o suficiente. A primeira de muitas vezes.
Você não mudou muito, nem eu. A gente continua no mesmo espaço, no mesmo mundo, vivendo o que a gente sempre viveu. E a gente se evita como se fosse doença. A gente se culpa por ter feito mal uma à outra, mas ninguém se pronuncia. Eu sei lá o que você sente. Você não faz falta, é só um lamento. Um pensamento de que podia ser diferente.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

It's hard to dance with a devil on your back


A liberdade vem fácil, a gente é que complica e finge que não a tem. Esquece, para pra pensar demais, pensa demais, esquece. Explica o que não existe, crê no subjetivo, ninguém nunca te prova nada. Pensando, escrevendo, ouvindo e embaralhando todas as memórias numa caixa transparente. Transparente a ponto de fazer enxergar todos os erros, todas as palavras inesperadas e dolorosas; transparente a ponto de permitir desvendar os erros dos planos passados. As escolhas que pesavam pela complexidade mostram-se fáceis e dignas de pena. Pena? Quase que escarnecedora essa dor. 

Why are we here?


There was no actual way to show them how I felt. It's been too long and some words still hurt as much as they would a long time ago. And I hate it, I hate it that I'm so weak and that anything, just anything might hit me so hard. The smallest of all things will still make me feel like it's the biggest thing in the world. Like it's unsolvable and it'll last forever. They say "No, you're not like that. You don't know yourself, you don't know how much you can do." but how am I supposed to know? It's not something I've developed, at least I don't remember things like that. It's like I was born with a sense of what is right or wrong which is very peculiar. What I do is wrong, everything wrong that ever occurs to me, I'm the one to blame. Why? Why do I have to think like that? There's no reason. There's nothing that moves me to this belief, but I force myself. Every time things are doing fine, I find a way to show myself I'm gonna screw it up at any moment. Nothing bad happens, but I always expect them to come. The pain and the tears are always right behind me, waiting for a breakdown. But, again, what am I supposed to do? Who am I supposed to look for? I can't trust myself on that.
It's a curse, it's a stain that doesn't come out, no matter how hard I try to make it fade, it's always here. I try to let it go and I try to share all I keep inside like it's nothing, but I don't feel like doing that. How can I share something that has put me into so much trouble? And some are always gonna say "I've never seen you with any problem", well, no one has. But it's here, I guess. Not sure. Never sure. No. I don't know.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Algo

É um ócio chato. Acordar e olhar pras obrigações e continuar sendo a mesma pessoa. Mesmo com o dia corrido, é uma monotonia brutal. Olhar em volta e ver as mesmas pessoas no mesmo cenário mórbido: assim como eu, não compreendem de onde vêm, não compreendem o porquê de estarem aqui e não fazem ideia do próximo segundo. Cansei de buscar a escolha e espero que ela seja feita por mim. Espero às vezes que ela se faça à minha frente e me obrigue a seguir o curso. Não tive muito tempo, agora parece que terei a vida inteira. A vida inteira não me parece um tempo agradável. Aprender a vida inteira, me aperfeiçoar a vida inteira quando tudo que eu queria era estagnação. Um momento de "paz" em que a catarse durasse para sempre e que não houvesse vida que sufocasse minha digressão e me obrigasse a explodir em compreensão. Uma vida inteira livre pra pensar e concluir o que não tem explicação. Não dá vontade de rasgar esse véu. É tão confortável sentar num cantinho qualquer e pensar, ou só se distanciar do mundo mesmo, sem ter que filosofar muito sobre o que vai acontecer no futuro. Sentar e pensar em coisas surreais, nunca revelá-las, nem ao papel, nem às teclas, nem a nada. Só a si mesmo. Revelar a si mesmo a essência de algo que não pode ser corrompido, porque não tem como corromper algo que não sai da gente. Não tem como nada ser mal interpretado quando nunca sai da gente. Às vezes a gente mesmo se interpreta errado, mas é a nossa má interpretação sobre nós mesmos, não é fruto do pensamento alheio ao que a gente criou. O pensamento alheio sobre o que a gente cria raramente importa. A menos que não estejamos certos do que é nosso de verdade.

I find it kind of funny, I find it kind of sad


I’ts been here all along and I could never see it. There was something here inside that would still burn since that very first day. I hate that, you know? Everything I’ve been doing, just everything I’ve been doing and every dream I’ve been dreaming since that very first day have been ruined by this fire. This stupid eternal flame that burns and burns and that resists to the wildest of winds.
I’ve been looking at the sky and I’ve been losing all my faith, letting something completely strange tell me what path to follow, when there’s actually no path at all. I’ve writen about death, and it came softly whispering in my ears. I can feel it getting higher, coming closer, breathing behind me.


"Os momentos bons te dão câncer"

Já faz um tempo, mas eu ainda me lembro. Nenhum lugar pareceu tão bom quanto hoje. Que coincidência, não? É esquecer pra se obrigar a lembrar, pra se obrigar a olhar pra trás e cuidar do que não cuidou antes. Esquecer dos detalhes e observar o que já tem, mudar a postura que tinha de só observar o que falta. É tanto que nem tem como. Espero não voltarem a ser dor essa estabilidade e essa cor. Não dava pra chamar aquilo de vida, e ainda tem muita coisa morta pra acordar. Despertar algo que nem é meu, despertar o que é estranho e tenso, despertar o que nunca nem dormiu. Dá medo só de olhar.
É isolado e ao mesmo tempo é uma corrente. São gomos diferentes, mas que tendem a se comportar da mesma forma. Se unem, atam o que está despedaçado, mas tendem a se partir. "Destrua-se, veja quem se importa." Antes ninguém nem perguntava e eu já jogava pra todos que tinha medo. Ainda tenho. Medo de usar do tempo pra dedicar aos outros e esquecer do que é mais importante. Bom, não eu, mas o que é meu. E o que é realmente meu? Meu pior inimigo. Eu juro que não vou nem te lembrar do que foi quando você voltou. Muito menos te cobrar.