sábado, 28 de dezembro de 2013

Sei lá

Sei lá.
Você pensa que um corte de cabelo pode resolver todos os seus problemas. Um carro, uma roupa nova. Um bicho de estimação, um livro, um álbum novo daquela banda que tava há uns dez anos sem lançar nada.. mas não vai. O pior não é se enganar pensando que vai resolver e no final não resolver, o pior é saber que tudo, independente do que você faça, vai te preencher por algumas horas, talvez dias, semanas, meses, mas vai passar e você vai estar sozinho de novo. Você sabe que vai.
O mais triste é levantar da cama todos os dias e pensar que você não ta satisfeito. Você sempre vai precisar de algo novo e nada vai te satisfazer, porque você não nasceu pra essa coisa de ser feliz. É pra poucos essa coisa. Não sei, não dá, sei lá, não sei explicar. Você vai se confundir com quem é lá fora e quem é quando ninguém mais está olhando. E se você for quem mais te repugna?
Seus olhos vão se cansar de ver as mesmas imagens, os rostos, as paisagens, as cores dos olhos. Sua cabeça vai desligar sem que você perceba, e de repente você ta sozinho de novo; só com você mesmo. Sua casa não é mais a sua casa, sua casa é um lugar onde você dorme e passa algum tempo de vez em quando. Sua pele não é bem sua... bom, deve ser. Essas mãos que suam enquanto você lê e se encontra, elas não são suas. Nada que você segura com elas é de fato seu. Esse relógio de pulso não te serve pra absolutamente nada, porque nós sabemos que o tempo não existe. Essa sua camisa nova vai ficar desbotada e gasta. A tinta do seu cabelo vai pelo ralo. Os sapatos novos logo sairão de moda, e você vai querer outros. Os amigos vão virar colegas. A pessoa que você ama hoje vai virar souvenir, mais um nome, um telefone, uma foda. Os seus pais vão morrer, assim como você. Sabemos que o desgosto vai te acompanhar, mas será que eles sabem? Ao ver seu rosto pela primeira vez eles sabiam que sua existência não seria feliz. Não por que você tivesse algum defeito, alguma doença, algum problema... mas porque ninguém que nasce de um ventre humano pode ser feliz. Então não é culpa minha, nem de ninguém, nem de nada. É como uma mancha de nascença, que não dá pra tirar nem pra explicar de onde veio, a causa, a origem.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Blut

Then what if you had devotion? Would it be enough?
You run yur hands through your hair like you know you look good
You don't know shit
Your smile stays wide as I stare at every single part of your face, so I don't miss any line, any dot, any detail
I'll never figure out what took me here
I don't wanna stay awake anymore, but I'd hate to dream
This place smells like strangers
This isn't home!
I don't know how to deal with my figure
I look at myself in the mirror and all I can see is someone I loathe
I must stay around you and it kills me! I don't want that...
I love being around you, but it hurts me when you leave. 
Even though I'm not alone I feel lonely and... what if you don't feel the same?

domingo, 8 de dezembro de 2013

Senão

É triste e incrível ao mesmo tempo
Seu cabelo na minha mão
Não sai nem que eu queira
A certeza de que se repete

Não tem ciência
Não tem deus que cure
A deficiência de elos
Entre um corpo e um mundo

Não há diferença de experiência
Nem de compaixão
Nem de história
Só de solidão

Sim e não
Senão

sábado, 30 de novembro de 2013

Unintended

Eu sei que você odeia essas coisas de textos declarando coisas e sei como você tem preguiça de ler. Eu entendo, eu também tenho, mas não sei usar outras formas pra te deixar saber. (talvez você nunca saiba porque eu às vezes -sempre- não dou conta de deixar transparecer tudo)
Eu tenho dúvidas quanto a mim, tenho dúvidas quando a tudo, tenho dúvidas quanto à gente. Dúvidas do tipo que eu não posso esclarecer, nem você, dúvidas do tipo que eu acho que não têm solução em vida; eu penso muito e acabo estragando todo o encanto das coisas ao meu redor, mesmo o seu, mas quando eu te vejo eu destruo toda desilusão e começo a ser do tipo de pessoa que eu odeio: boba. Eu gosto de gente boba, gente inocente, gente iludida; eu quero ser assim e você me dá tudo que eu quero, mesmo eu sabendo que é errado. Mesmo eu tendo medo de sentir o mesmo horror de um tempo atrás, I don't give a real fuck. 
Sabemos que eu não tenho impulso pra continuar as coisas, que eu começo e não termino, que eu me empolgo mas depois tudo perde a graça e eu caio num caldeirão vazio/cheio de ócio. Você sabe que eu sempre me esqueço de como as coisas eram boas, de como eu só me lembro das coisas ruins, de como eu tenho rancor. Às vezes eu queria que você fosse outra pessoa, às vezes eu queria ser outra pessoa, às vezes queria que nós dois fôssemos pessoas diferentes e vivêssemos a mesma história, no mesmo horário, no mesmo dia, da mesma forma. Às vezes eu quero ser você e quero que você seja eu. 
Nos tempos de pensar eu sofro e choro, mil coisas passam pela minha cabeça e deixar o que eu consegui é um dos desejos mais fortes. Não é você, sou eu. Sou eu que quero deixar tudo pra trás, é minha vida que não precisa de continuação, são esses capítulos que eu to sem ideia pra escrever... são os meus capítulos; mas quando eu vejo que não consigo realmente -ver- nenhum capítulo sem você, quando eu vejo que -não quero- que você esteja fora do livro, eu...
Eu me desespero e choro, mas também me alegro. Ao menos eu tenho um motivo pra não largar tudo sem explicação. Por mais imperfeito que seja, é um motivo. 

(Lovesong lyrics)

domingo, 24 de novembro de 2013

Sincero

    Me sinto a pessoa mais feia do mundo. Eu tenho olheiras, cicatrizes, manchas, estrias, gordura. Minha pele é feia, minhas pernas não são como eles dizem que deveriam. Minha postura é impossível, minhas expressões não são graciosas. Eu não falo de forma impecável. Eu falo palavrão, falo o que não devo, falo errado. Eu me sinto gorda, feia, alheia, com medo das pessoas. minha responsabilidade nunca é suficiente e meu compromisso nunca é tão comprometido assim. Eu não quero me amarrar a nada, fujo do que me prende, mas não consigo escapar totalmente. Preciso seguir alguma coisa, ter algum modelo de conduta, sendo que no final eu nem acredito nisso.
    Não vou esquecer de como eu fui, de como eu sofri pra ser quem eu sou, de como eu pensei que pudesse por fim a todo esse incômodo de ser pra mim e pros outros. Não vou esquecer do que me disseram, das ligações demoradas de madrugada, do arrependimento e das desculpas embargadas. Não vou esquecer do estranhamento, nem de que sou um enigma. Não vou esquecer dos olhos sem vida, que antes eu achava infantis e que hoje parecem estéreis. Não vou esquecer de toda pena que sinto. 
Não acredito que nada possa preencher esse vazio. Se ao menos eu tivesse um deus... um caminho que me garantisse algum motivo pra levantar todos os dias e achar que as coisas são boas, que me mostrasse qualquer objetivo pro meu tempo. Se ao menos eu tivesse algo que me acalmasse por mais de algumas horas...
    A verdade é que todo mundo me odeia. A verdade é que as pessoas ficam do meu lado por pena. A verdade é que eu mendigo atenção de todo mundo, que eu não consigo me sentir segura quando sozinha. A verdade é que tudo que eu sou é uma mentira. A verdade é que a verdade não existe.
    Dez anos depois desse dia eu não vou nem me lembrar de como eu pensava, de como eu agiria. "Tem coisas muito maiores do que isso, cara." Eu disse isso, eu percebi isso. Eu pensei que a coisa mais importante do mundo era o que todo mundo valorizava, mas a coisa mais importante do meu mundo é isolar esses "fios desencapados". 
Eu o sinto como alguém que já morreu, mas que ainda vaga pra atormentar aqui e ali. Um espírito sem rumo, perdido, vagando pelos mundos alheios, de tempos em tempos. Caminhando pelo mesmo solo, o que encontramos? Os mesmos medos. E só.  

domingo, 27 de outubro de 2013

Não vá

   Eu quero ir embora daqui.
   Não do lugar físico, mas de onde eu estou mentalmente. Não aguento mais ser vítima do que eu penso, me deixar controlar por algo que não sou eu. Não sou eu. A culpa não é minha.
   Eu tenho quem me ajude, mas não tenho a ajuda dessa parte. Eu quero mudar, quero ser tudo que eu conseguir, mas essa parte que me comanda não quer ser ajudada. Ela quer me destruir, ver tudo que eu tenho de bom se esfarelar na minha frente. O que eu posso fazer? Não tenho força nenhuma, não tenho coragem, não tenho disposição pra levantar e dizer que já chega. Todas as manhãs eu acordo derrotada, como se tivesse guerreado contra mim mesma mentalmente. O que não deixa de ser verdade. 
   Eu serei condenada pelos fantasmas de quem eu já fui. Ele vão me incomodar até não sobrar rastro de sanidade na minha cabeça, vão virar do avesso todos os meus conceitos e me enlouquecer. O meu maior medo é perder a razão, mas será que eu já não a perdi há muito tempo? O que eu faço tem que ser regrado, não consigo viver sem rotina, mas minha cabeça me pede liberdade e eu não sei como conter o que eu sinto. 
    Não aguento ouvir gente brigando, gritando, empurrando os problemas pra debaixo do tapete; mas como eu posso questionar algo que eu também faço? Não querer voltar pra terapia por medo de desenterrar os problemas, por medo de mergulhar em mim mesma e descobrir o que não queria; por gritar com todo mundo quando o dia ta horrível, por adiar decisões e fugir de tudo que dói ou pode doer. Meu corpo virou mero instrumento da minha mente que me tortura, minhas mãos e penas são inquietas, não consigo sorrir por muito tempo, não consigo nem chorar. Não sei controlar o que eu como, como eu durmo; não sei controlar o que eu faço e ão consigo evitar me machucar. Não é vício, é impulso. É como chorar diante de uma situação emocionante, como rir quando algo foi engraçado ou quando se está alegre. Eu me machuco quando fico agoniada. É isso ou comer.
   Eu preciso do meu espaço, preciso ver as coisas com olhar mais livre. Eu sou livre, mas o que eu penso não condiz com quem eu sou. Me sinto hipócrita, mas como não me sentiria? Não quero fazer o que querem que eu faça, só quero fazer o que me der vontade. O maior incômodo não é não fazer, é não ter a opção, ser privado de escolha.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

21/10/2013

Eu lembro como deixei tudo jogado ali na sua porta, esperando que você cuidasse bem de tudo, recolhesse, guardasse com carinho. Eu me lembro de como exigi que me desse algo que nem possuía, eu me lembro de tudo

domingo, 20 de outubro de 2013

Escola

Será que eu vou morrer?
Ou será que vou correr?
Não serei mais a mesma pessoa
Nunca mais

Nunca sou a mesma pessoa
Nem em dois anos, nem em dois minutos
Eu rasgo todos os limites do tempo
Pra não deixar que passe

Essa tranquilidade de esperar passarem os séculos
Sem nem perceber as eras diferentes
Juntar todas as forças pra viver
No meio da morte da música


Entendo as orações, mas nego todas
Entre o que sei e o que não sei, escolho o que não existe
Porque só e sei
O quanto ainda não sei

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Câncer

De um dia normal eu faço o inferno
Nos milhares de presentes que existem no passado
Eu habito sem remorso 
De perder meu tempo

Eu perdoo as falhas
Perco as chances de escolher
Derramo as oportunidades e recolho as lembranças
Como quem rejeita a eternidade no paraíso

Entre um gole e outro do líquido
Ouço as vozes de sempre e de nunca mais
Preciso que me ensinem
Preciso que me criem do nada que me tornei

Sorrio e choro no mesmo ato
Encontro meus pertences em frente ao lar
Ao lar dos outros que um dia fui e não mais serei
Recolho os restos de almas indigentes

Percorro a mesma estrada mil e oitocentas vezes
Escrevo os mesmos versos como se nunca os tivesse mencionado
Minhas pernas tremem
Escadas e mais escadas e nenhum meio



domingo, 25 de agosto de 2013

O nome dela

    Ela foi embora sem dar uma sombra sequer de satisfação. Ela sumiu e deixou os quatro anos do meu desespero que carregava nas costas no meio fio. Deu a César o que era de César. Durante esse tempo todo, eu nunca disse que a amava. A elogiava de tempos em tempos; ela era bonita, não que eu a achasse, qualquer um podia perceber como ela era bonita. Os olhos dela eram, apesar de dolorosamente escuros, transparentes. Ela fazia tudo o que eu queria, antes mesmo que eu pudesse pedi-lo. Eu a ouvia chorando e mudava de cômodo, aumentava o som da TV, saía pra beber. Eu sempre fui prioridade pra ela, ela foi... não sei o que ela foi pra mim. Nunca a amei de verdade, nunca amei ninguém. Era doloroso suportar o semblante dela quando eu não podia retribuir aquelas palavras; aquelas malditas palavras, aquelas que qualquer um fala, mas que ninguém realmente faz, nem mesmo minha própria mãe.
    Não suporto ter que considerar os impactos que minha querida progenitora me causou. Um frustrado, louco, hipocondríaco, viciado. Eu não ando seguro e não me lembro de ter sentido qualquer coisa parecida com segurança. É como se eu estivesse sido perseguido por algum psicopata ou pelos fardados vinte e quatro horas por dia. Por que ela tinha que ser tão filha da puta? Até hoje, nada fica na minha vida por muito tempo. Se você já passou pela minha vida e percebeu que te fiz sair dela sem muita explicação, bom, aí está sua justificativa: eu abandono antes que seja eu o abandonado.
    Bom, isso não é sobre minha mãe, é sobre Alice. Alice me deixara pela milésima vez em quatro anos, eu poderia pensar que fosse por capricho, porque ela era, de fato, muito mimada; eu até pensei, por uns oito meses... ela se fora de verdade. Não sei o que seria daquela vagabunda sem mim, sem emprego, sem quem a sustentasse, já que ela não sabia fazer nada sozinha. Eu podia não ser o melhor companheiro do mundo, mas eu, definitivamente, cuidava pra que ela tivesse tudo que quisesse. Ela usava as melhores roupas, os melhores perfumes, jóias, e sempre reclamava; sempre tinha algo do que reclamar. "Você chega tarde demais", "você fuma demais", você bebe demais", "não pode beber enquanto toma psicotrópico, seu imbecil". Ela adorava me chamar de imbecil, era o xingamento preferido dela. Entre o que a gente fazia e desfazia naquele apartamento, ela me fez o cara mais infeliz do mundo. A quem eu quero enganar? Eu sou um cara infeliz; fui infeliz antes dela, com ela, sem ela. Como todos os outros, ela só quis ajudar.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Lembrando de esquecer

    Não quero ter que fazer compras no mercado. Não quero ter que saber o que fazer quando for limpar uma casa. Não quero ter que limpar uma casa. Quero que se foda a culinária. Não quero saber. Não quero ter que saber. Por que eu "tenho" que saber? Hein? Eu não tenho que saber de nada além do que eu queira saber. Eu sei que não é assim, mas é assim que eu quero que seja. Por que eu não posso aprender só o que me interessa? Por que eu não posso ver só que me interessa agora sem nem conhecer o que eu to perdendo? Eu não to perdendo se eu não conheço. Isso não existe. Isso não faz nenhum sentido.
    Tanta regra e a gente acaba no mesmo lugar. Tudo diferente, extraordinário dentro do comum. Tudo é comum e tudo é extraordinário. "Como você espera ter uma vida comum quando tem tantos dons extraordinários?" São comuns para alguém. Tudo é comum. Eu sempre faço tudo ficar comum, entediante, monótono. Por que eu sempre faço isso? Talvez porque eu seja uma pessoa comum. Talvez eu não seja e busque o conforto de sê-lo.
    O momento de paz tem durado e eu não consigo mais planejar nada. Eu não tenho mais medo. Por que eu não tenho mais medo? Será que eu nunca mais vou ter medo? Será que eu sempre vou mudar tanto assim? Será que eu vou passar meses com em mais algum momento da minha vida? Será que eu vou ficar idiota? Será que um dia eu vou parar de me questionar tanto e vou só rir de como eu era inocente? Será que eu ainda sou inocente? Eu devo ser. Não sei se quero parar de me questionar, porque eu acho divertido esse meu jeito de lidar com as coisas; ou de tentar lidar e só acabar com milhares de perguntas em aberto. Perguntas que eu vou resolvendo com o tempo e que nem nunca percebo.
    Eu podia cair no sono e acordar num mundo diferente. Isso tudo podia ser um sonho e os sonhos podiam, na verdade, ser a vida real. E se a gente não existe de verdade? E se for tudo sonho de alguém? Como é que a gente pode ter tanta certeza de que é real?

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Profecia

    Eu caminhava sozinha no meio daquele bando de gente infeliz que não parava de falar sobre suas vidas miseráveis. Eu pensava na desgraça que tinha passado, nas desgraças que ainda passariam, em tudo que ta acontecendo agora. Talvez eu não mereça nada, mas eu devia me lembrar de que a gente quase nunca controla as coisas e isso de "fazer por merecer" é ridículo. 
    Não tenho mais nada pra pensar além do que eu sou e do que eu faço, porque não existe presente, é passado e futuro na minha cabeça. O presente é muito vago, muito perigoso. Essas pessoas, quem são essas pessoas? Elas têm suas ocupações, suas famílias, suas responsabilidades, elas têm alguma coisa que eu não tenho. Todo mundo tem algo que eu não tenho. Eu não tenho paz. Achei que já tivesse aceitado e estivesse aprendendo a lidar com essa situação... Essa sensação de que minha cabeça pesa, de que eu vou vomitar, chorar e gritar ao mesmo tempo. Essa sensação de implodir.
    Sei que não choro há mais de um mês, e isso é tão bom. Por mais que eu tente ficar remoendo as coisas, minha cabeça não me dá tempo. Tem tudo dado quase certo, mas eu to conseguindo me focar no que realmente deu. É tipo "oh, pensa em coisas ruins, pensa em coisas ruins... não! há coisas boas demais acontecendo, não vale seu tempo pensar em coisas ruins. é passado." e eu volto. 
    Queria nunca mais ter momentos de crise. Momentos de me perder no que eu penso, ficar desequilibrada, querer destruir tudo que eu construí. Fico pensando no que eu tenho feito da minha vida até agora, às vezes fico triste por ter a idade que eu tenho e não ter feito quase nada que me faça me sentir realizada. Eu consegui tudo que os outros conseguiram, mas eu não sou como os outros... mania. Um dia me disseram que eu consigo enxergar o que muita gente não consegue, e eu já sabia disso, mas foi dito como "você é capaz de descobrir em dez segundos o que pessoas estudam anos e anos pra descobrir a metade"; eu gostei tanto. Acreditei tanto. Só que me fez acreditar ser como todo mundo, porque eu fui enganada de alguma forma. Todo mundo vai ser enganado uma vez na vida, ficar cego, ficar bobo, ficar bem idiota mesmo. Virar um trapo. O que me conforta é saber que eu não me privaria de me sentir assim se soubesse o que viria depois. 

domingo, 30 de junho de 2013

Canto

Seu encanto falece
Mas nunca floresce
Em que canto se desencantou?

Nunca compreendeu
Sempre se emudeceu
Que glória há nisso?

Deita só e em silêncio
Sem nenhum canto que encante em seu canto
Duas mil rosas e nenhuma nota
De que adianta?

Conheça o perdão
Perdoe o desencanto
Que lhe encantou
Por tirar seu canto.

sábado, 22 de junho de 2013

Qualquer coisa

    Pra ser bem honesta, a gente nunca se entendeu muito bem de verdade. Sempre falamos línguas completamente diferentes. Eu tentava captar algumas coisas do seu código e me esforçava muito pra me comunicar, e você não fazia esforço nenhum, só me ensinava de vez em quando, mas sempre se recusou a aprender o que quer que eu tivesse a ensinar. A gente não duraria dois segundos no mesmo mundo. 
    Entre as coisas que eu vivo hoje e as coisas que já vivi, escolho as que ainda vou viver. Eu perco tempo demais em qualquer etapa, sempre pensando e repensando, remoendo. Dentro das coisas que eu vivi, eu viajo, eu busco conexões e eu me perco; demoro pra me reencontrar e me situar no que eu vivo, quando caio em mim, já estou onde viveria, Longe, sem intenção nenhuma, sem objetivo, sem ter planejado nada. Fico me jogando nos espaços que não conheço, esquecendo de como dói cair de uma altura desconhecida, esquecendo de como é áspera a sensação de esquecer de algo importante. Alguém importante, não sei. Eu sei que procuro fazer alguma coisa que me preencha, mas acho que eu mesma sou um vazio ambulante. Sempre tento algo novo, coisas, pessoas, lugares, músicas, passeios e... nada. Já tentei divindades, coisas desse tipo mas... nada. É uma dúvida que não some e eu sei que só vai sumir quando isso tudo acabar. 
    Sinto as coisas sem muito significado e o que a gente faz é só o que a gente faz, atinge os outros, atinge a nós mesmos, atinge o ambiente, mas não interessa tanto assim. Nada interessa tanto assim. Algumas coisas parecem o fim do mundo, mas no final das contas, são pequenas, insignificantes coisas nesse universo infinito. Que significa sua lágrima diante dessa imensidão toda? Que significa seu sangue? Não somos tudo isso, definitivamente, não somos nada disso. Fugimos do castigo porque fugimos de qualquer dor, mesmo se a punição corresponde ao crime. Jogamos toda justiça fora quando a mesma nos fere. Que tipo de consciência é essa? É falta de qualquer discernimento, falta de qualquer complexidade, é puramente instintivo. O próprio bem a qualquer custo. 

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Demônios

Há um modelo a ser seguido 
Tenho pena do sem abrigo
Isolado em seu delito
Descrente e aturdido

Em descanso eterno
Olha a paisagem como vertigem
Na onda de horror que o persegue
Vê mas não enxerga

No sopro frio que o invade
Encontra consolo na miragem
De um aconchego 
Do verde encanto dos olhos sem pranto

Em seguida passa enferma
Sua luz abatida
Entre camadas de depressão e angústia
Agonia comprime suas feições

Entre um vento e outro
Ouve o canto da morte
Adagio calmante e perigoso
Espera na descrença de um novo refúgio

Sem cerimônia nem desespero
Quem é quem quando não se espera a quem?

Subvertendo

É um movimento diferente
Num momento incoerente
Sem crise, sem tiro

Não há escutas
Há orações
Não há bala de canhão

Finalmente
É tudo exatamente o que parece
Sem"ler nas entrelinhas"

É tudo exatamente o que parece
Controvérsia é engraçada
Embalado em divergência
Embaçado pela insipiência

Controvérsia inspira
Mas eu só me inspiro quando to triste
E a vida anda interessante pra viver
Tanto que escrever não anda tão urgente.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Talvez haja um lugar

    Tenho medo de me deixarem antes de me encontrarem de verdade. Medo de esquecerem de qualquer coisa idiota que eu tenha dito, porque eu quero ser levada a sério. Não tão a sério, mas de um jeito compreensivo. Quero ser compreendida e não ser abandonada depois disso. Me parece perigoso deixar tudo tão solto, porque deixando assim eu me sinto presa; impossibilitada de dizer qualquer coisa rude e estúpida, porque é assim que eu quero ser às vezes. Eu quero ser rude, impolida, bem escrota mesmo pra dizer a verdade. Machuca pensar em como eu sou idiota. Eu seria uma pessoa melhor se sentisse raiva invés de pena. Só que não seria eu, e não sei ao certo se quero ser outra pessoa. Porque há quem goste dessa pessoa que eu sou, só que, por que então eu mesma quero tanto negar tudo isso? Talvez eu seja boa pessoa, do meu jeito, sem procurar ser nada, só sendo. Talvez todo mundo seja boa pessoa pra si mesmo e os outros sejam pessoas terríveis.
    Não sei nem como dividir e organizar o que eu to pensando e isso me incomoda de um jeito que não consigo explicar. Não conseguir explicar é o que mais me incomoda. Parece que eu nunca conheço as palavras necessárias pra exprimir tudo, porque eu preciso, é o que eu mais preciso: verbalizar tudo pra que se torne concreto e que, talvez assim, me deixe livre. Eu preciso verbalizar toda ofensa, toda calúnia, toda injustiça que me tira o sono pra que fique em paz comigo mesma. Eu preciso contar, nem que seja pra ninguém, mesmo que ninguém escute.
    É complicado pensar que eu tenha feito algo de errado, é inconcebível pra mim. Eu sempre fiz tudo da melhor forma que podia, sempre calculei tudo pra não machucar ninguém, e se fosse pra machucar, que fosse a mim mesma. Sempre foi assim e não sei até quando vai ser. Me disseram que eu não preciso disso, eu preciso ficar feliz e que os outros não importavam; eu nunca consegui acreditar, nem mesmo tentar algo assim. Não sei, são pessoas; como eu, mas não como eu. É complicado, não sei explicar. Eu penso em como me sentiria se me deixassem, eu penso em como seria doloroso dizer tudo, compartilhar tudo e ser largada como se não fosse nada. Mas eu penso no que fariam por mim, e mesmo sabendo que não me considerariam da mesma forma, eu faço o que parece mais bonito, o que me parece mais justo pros outros. Aí me machuco. Acabo sendo mais injusta do que qualquer um.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Subversivo

Depois de tudo, foi válido
Toda pena e todo medo
Perguntei se tinha perdido a pista
O caminho não me era familiar

Descobri ser um atalho
Uma perspectiva estranha
Um vento fez tudo perder o contato
As estrelas existem afinal.

Não há repulsa nem descrença
Uma tempestade levou tudo embora
Em boa hora

Extenso e manso
Esqueci como se memorizam
A raiva e o rancor

Em que hora 
Queria ir embora
Em boa hora. 

terça-feira, 11 de junho de 2013

Sem dizeres



Sem caminho


Sem                                                    sonho
Sem       desespero
                    Sem                       escuridão
Sem                                 medo
                       Sem                             castigo
Sem                                       dor
      Sem                                             choro
                                                                   Sem                                  frio
Sem                                                                enjoo
Sem                    decepção
Sem                                  hostilidade


Sem mim.

Huh

Adolescence didn’t make sense
A little loss of innocence
The ugly years of being a fool
Ain’t youth meant to be beautiful?

segunda-feira, 10 de junho de 2013

If you still care don't ever let me know

Run away just like it's the first time
Run away like it's you're running for your life
Run away like you're ruining mine
Steal the air from everyone else's chest
'Cause taking's everything you've ever known
Take my time, take my words and wash 'em up with your tears
You know you must give them back to me
You know they'll take something away from you
We all know.


I don't hate you, I'm not angry, nor sad.
I feel sorry for you.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Não sei quem


E lá está Brenda


Se tornando a mais pura das criaturas 
Ou apenas sendo a mais bela delas 
E lá está Brenda
Como aurora boreal Iluminando cada lembrança
Dos que já passaram por sua vida
E lá está Brenda 
Com seu cabelo carmesim
Fazendo barulho Como o crepitar da lenha 
E lá está Brenda.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Dúvida ou dívida

Casa nova
Recém pintada
Sem mobília
Sem identidade
Sem proteção
Sem nada

Nenhum aconchego
Nenhum carinho a oferecer

Ninguém a habita
É visitada vez ou outra

Alguém se interessa
Por pouco tempo

Ninguém a adota como lar.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Amanhã é 23

Minha ansiedade ri
Cínico olhar soberbo
Movimenta-se a ~~~~~~~~~~~~ regra ~~~~~~~~~~~~~~~~
Confundo os silêncios

Monotonia áspera,                                       rígida.
Convoco os sábios
Mostram-se as rugas
Conheço os sinais

Monstros amigos
Rostos, chuva, os signos
Miragens alvas


Rio.
              Choro.
                                        Ouço sinos.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Mas eu não sou cego

Você constrói minha prisão tijolo por tijolo
Comer suas palavras está me deixando doente
Você consegue o que quer
Porque nada é sagrado
Você lê minha mente
E me deixa nu
Você diz que deve-se dar antes de receber
Talvez algum dia eu acredite. 

sábado, 18 de maio de 2013

Tallulah, it's easier to live alone

   Por essas e outras coisas eu faço um pacto comigo, de nunca deixar que ninguém me mostre até que ponto eu posso ou não sentir as coisas. Interpreto tudo da pior forma possível mas sem controle algum, não é proposital. Podia ter uma fórmula, um antídoto, qualquer coisa que não fosse a morte que cessasse essa sensação de desequilíbrio. Essa coisa de se sentir como um bêbado, mas sem a parte legal. Uma tontura, fraqueza, perda de sentidos, e esse cansaço infinito. Todos os tipos de cansaço. 
   Coloquei pra mim um objetivo: aprender a expressar todos os meus sentimentos por meio de palavras, sem deixar que nenhum, por mais insignificante que fosse, passasse; mas nem bem me comprometi a isso e já começo falhando, como se fosse um projeto já arruinado na minha cabeça, mesmo antes de começar. Porque eu não pareço acreditar que consigo, mesmo finalmente tendo conseguido formar algo e planejar, coisa que eu nunca consigo. Até então nunca tinha tido um sonho que me comprometesse a realizar. E ainda assim, mesmo conseguindo pensar nisso, planejar, tentar, já pensava que não conseguiria. De onde vem isso? Algo da minha infância, algo de família, será? Acredito que se soubesse o nome disso, ao menos de onde vem, conseguiria lutar contra isso propriamente. 
   Eles tentam me ajudar como podem, me ouvindo, me aconselhando, mas adianta? Eles perdem o tempo deles com algo tão ridículo e com alguém que não é merecedor do esforço. Quem entenderia? Eu tento explicar e não tenho sucesso, ouço sempre as mesmas coisas pois digo sempre as mesmas coisas. Eles tentam me ajudar como podem, mas talvez eu não queira ser ajudada. "Me sinto sozinha, isolada." Por quê? Desde quando eu me sinto assim? E quando isso vai acabar? Não consigo aceitar que nasci assim, que estou condenada a viver lidando com isso, aceitando essa desgraça vinda não sei de onde que me atormenta dia e noite e que me faz sentir culpada por cada coisa boa que me acontece, fazendo com que me ache desmerecedora de qualquer sentimento de aprovação, carinho, fidelidade. Eles sempre falham comigo no final, e é só nisso que acredito. 
   "O beijo é a véspera do escarro." Como? Ao mesmo tempo em que confio cegamente, desacredito e condeno. São todos corruptos, olham nos olhos e mentem, e quando eu posso descobrir, desmascarar todos? São seres humanos, assim como eu, mas não como eu. Nunca como eu. Eu não sou como eles, e isso dói. Por que quereria eu ser como pessoas por quem nutro certo desprezo? Que ridículo esse paradoxo a que me sujeito. "Eu sou humano e preciso ser amado assim como todo mundo." Que tipo de ser humano eu sou? Que tipo de ser humano me amaria? Ninguém é igual a ninguém, e nada interessa ao mesmo tempo. Nada interessa mais do que a cor da sua pele, o formato dos seus olhos, as palavras que saem da sua boca; nada interessa mais do que o cabelo hidratado, as pernas durinhas, a barriga lisinha; nada interessa mais do que a sua maquiagem, a sobrancelha feita, os dentes certinhos. Nada interessa mais do que a gente mostra, e como a gente quer mostrar! Só que poucos se rasgariam ao meio, poucos explodiriam em pedacinhos pra mostrar o que tem por dentro. Poucos se arriscariam a jogar tudo pra fora, vomitar tudo que angustia, que agonia, que faz guerra por dentro. Já não sei mais se penso por cima, ou se é meu peito que comanda tudo. Mas é como se fosse uma massa inquieta, um emaranhado de coisas de milhares de cores se mexendo em volta do meu coração, comprimindo o mesmo, fazendo com que minha respiração pese. 
   "É o inferno, eu grito, mas ninguém escuta." Quero uma causa pra viver e morrer, e não sou suficientemente valiosa pra mim a ponto disso. "Muita gente queria ser como você, ter o que você tem, parecer com você." Se soubessem de verdade com o que lidariam, não quereriam  nunca. "Ninguém gosta de mulher doente." Ninguém gosta de nada com que não sabe lidar. Todo mundo tem milhares de identidades, e por amor e urgência à auto-destruição, resolvemos ser a pior. 

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Freedom

   Não suporto essa solidão de me esquecer em alguém. Não suporto essa solidão mesmas músicas de sempre, da indisposição, da preguiça, da casa inteira só pra mim quando não quero fazer nada fora do comum. Não suporto essa solidão que nem animais de estimação, nem desenhar, nem ler, nem se encher de porcaria preenche. Não suporto essa solidão do tempo infinito, dos sons altos demais, dos sentidos aguçados e dos pensamentos ruins. Não suporto essa solidão em que tudo em mim me incomoda, por falta de um referencial tão humano quanto eu. Não suporto essa solidão em que me olho no espelho e aponto falhas e mais falhas. Não suporto essa solidão em que todos vivem suas vidas, enquanto eu só espero um aviso pra fazer uma pequena participação nas mesmas. Não suporto essa solidão em que todo mundo se ocupa, enquanto eu só me culpo. Não suporto essa solidão de passar horas na internet e não me deparar com nada interessante. Não suporto essa solidão de não ter coragem de passar o pente no cabelo, porque ninguém vai me ver mesmo. Não suporto essa solidão de não ter vontade. Não suporto essa solidão de não suportar a solidão e fazer dela um drama. Não suporto essa solidão que me faz escrever repetindo as mesmas palavras. Não suporto essa solidão que me faz prolixa. Não suporto essa solidão que não mais me fere, pois até ela é indiferente a mim. Não suporto essa solidão de morrer nos outros e ainda cultivá-los em mim. Não suporto essa solidão de querer sumir e não poder. Não suporto essa solidão que é crescer. 

Oh, little one



Stare into the sky with newborn perfect eyes 
Oh, little one, enjoy your time
There will be heartache
There will be rain and joy I can't explain
My precious little one 
Explore your time

segunda-feira, 29 de abril de 2013

26/04/13

O silêncio é cruento
Jogado ao relento
De um abismo escuro
De um medo insólito
Engessado em minhas palavras
Escuto a voz amarga
Roendo minha liberdade
Consumindo-me sem piedade
As histórias sincréticas
Demonstrações histéricas
Do tempo que não veio
Do lúcido devaneio

Nunca

De que modo te acolheram naquela cidade
Inscreveu-se no caos
E esperou a chuva de miséria
Esquerdo e em pranto
Jogo toda vergonha
Pelo dia em que soe puro
Intenso e volátil
Desgraçado e débil
Num frio condensado
Na sorte, no inverno
Escorre o sangue pelas mangas do terno
Eterno terno
Terno eterno 

Father & Son

Silenciosamente amanhece morta
Uma efêmera liberdade
Branca, rígida, exilada
Nunca dita amada
Rapidamente abstinente
Moralmente obediente
Nunca abrangente
Sempre amante
Mitológica, utópica
Essencialmente leviana

terça-feira, 23 de abril de 2013

She's like all the rest


It was raining from the first
And I was dying of thirst
So I came in here
And your long-time curse hurts
But what's worse
Is this pain in here
I can't stay in here
Ain't it clear that?
I just can't fit
Yes, I believe it's time for us to quit
When we meet again
Introduced as friends
Please don't let on that you knew me when
I was hungry and it was your world.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Só um alarme falso

    "Compositor das fases infinitas, do mundo escuro e sem significado, da harmonia mais amarga." 
    Dos seus dedos não saem mais canções, da sua boca só saem facas. De várias formas eu caio e tateio em busca de algo que me levante, mas o que há aqui dentro me puxa pra baixo. Não tanto como antes, mas de alguma forma, esse pessoa existe. Me disseram que eu me cansaria, cresceria e esqueceria disso, mas com o passar dos anos essa coisa só faz aumentar; os meus segredos deixam de ser segredos e as minhas frustrações mais bem guardadas passam a ser reclamações cotidianas. Espero pelo dia em que me livrarei disso, se é que isso é possível. Acho que seria como me livrar de mim, e, bom, eu já fiz isso antes. De início eu perdia a compostura e olhava pros outros como se nunca pensassem como deveria, quando na verdade eu era a errada; sempre fui. Errada, do contra, rebelde. É terrível lutar contra uma opinião e, no futuro, descobrir que ela estava correta. Eu sempre fiz tudo ao contrário mesmo, só nunca vi porque tudo pra mim sempre foi ao contrário. Ao contrário era certo, e o certo era ao contrário. Será? Você nunca me respondeu nada, só planta mais e mais dúvidas aqui. Mas, ah, nem consideraria isso se fosse você; duvido até do meu próprio pensamento. A impressão engana tanto, só que a reflexão é pior, porque no meu caso é quase sempre paranoia. Não queria ser prolixa, mas todo mundo tem seus momentos. (muita conjunção adversativa, pra quê?)
    Eu realmente não sei. Hoje não ta sendo um daqueles dias em que eu crio coisas maravilhosas. Essa citação, por exemplo, foi de algo de quase um ano atrás. Sinto saudade de escrever assim, e, nossa, eu tinha tanta coisa pra falar. Tenho tanto texto perdido, jogado fora, apagado por ter sido escrito pelo motivo errado. Não me arrependo de ter apagado, porque me arrependera de ter escrito, mas tenho certa pena. Ninguém nunca vai ler, e eu nunca vou saber exatamente como eu era e como eu me sentia ao escrevê-los. Escrevia quase todos os dias e os assuntos nunca eram específicos. Na maioria das vezes, me faziam mal. Começava falando de algo que me excluía totalmente, e de repente, a primeira pessoa já tinha tomado conta do texto todo. Isso me irrita até hoje, mas ainda não consigo mudar. Acho que eu tenho palavra demais reprimida. 
    De vez em quando eu choro, mas bem de vez em quando mesmo. Lembro que já tive épocas de chorar todos os dias depois da escola. Bons tempos. Pelo menos naquele tempo eu sentia alguma coisa. Hoje é essa rotina chata, em que nada acontece e em que por mais que a gente se arrisque, nada continua acontecendo. É essa coisinha morna, que deixa a gente confortável, bom, a gente não, porque eu fico mais ansiosa do que o normal. Começo a me mexer mais e a falar mais pra ver se gasto essa energia e se paro de reprimir essa agonia toda. Eu nunca percebi que tinha tudo isso guardado. Desde quando eu tenho me esquecido de dizer as coisas? Deve fazer anos. Não é por mal, nem por desconfiança, é por medo. Eu sempre tive medo, mas nunca soube do que. Agora começo a descobrir, e me sinto meio idiota, mas ao mesmo tempo me agradeço por ter me reservado de muita coisa ruim. Espero que esse medo se torne cautela, porque eu não vou permitir que nada me impeça de fazer o que eu quero. 
    Eu sinto falta de sentir falta de algo. 

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Você podia vir me ver um dia desses

Eu te ouviria se você quisesse. Até diria algumas coisas bonitas pra tirar sua aflição; eu leio muito e até escrevo algumas máximas... a maioria de descrença, sobre como tudo me fez ficar meio cética. De você acreditar em sonhos, bom, que acredite, mas eu não. Todos os dias eu acordei buscando algo que me preenchesse, mas nada parece suprir essa carência minha; tão minha que acho até que é meu destino. Essa insatisfação infinita, que nunca avisou. Por medo de ser pessimista eu a escondo, sabe? Mas pra você não. Você entende... você sempre entende. Eu me escondi muito e por tempo demais. Me perdi em pessoas e lugares que me satisfaziam momentaneamente. Um gosto, uma cor, uma textura, um ou outro deus; que de nada me serviram. Não! Você sabe como eu sou. Até o nada é pra mim experiência. Você me conhece tanto! Às vezes queria que me desse o tempo de sentir sua falta, porque é muito bom matar saudade (se bem que a desgraçada nunca morre), mas sei que te prefiro por perto. Bem perto. Você me confunde tanto e ao mesmo tempo me faz a vida tão clara. Me faz crescer e me conhecer como amante dos paradoxos... nada tem um só lado, não é? Ainda bem que seu sorriso não é caro e seu abraço não é breve. Sua filosofia me deixa meio perdida e suas músicas me deprimem. Você é um dia nublado, daqueles que me deixam com vontade de morrer, mas que lavam toda ardência e indisposição dos dias quentes. Você sabe que eu odeio frio e chuva, mas com você por perto eles não parecem tão terríveis assim. Odeio brigadeiro, mas fica bom quando você faz. Não posso comer muito doce, mas a gente sabe que eu vou comer mesmo assim. Minha mão é sempre gelada e a sua é sempre quente. Não sei, pode ser pressão baixa, né? E essas tonturas... eu me irrito quando me cuidam muito, mas você sabe que no fundo eu gosto. Sabe que eu preciso de cuidado, que canceriano tem natureza carente... e que eu leio horóscopo todo dia e ri da minha cara, tão "lógica" no que acredito e continuo lendo essas palhaçadas. Você é um artista e um psicólogo; às vezes suas técnicas são primitivas, mas eu fico tranquila, porque sei como a gente se aperfeiçoa com o tempo, e como mudam as nossas vontades. Sua arte não pode ser vista, nem ouvida, só sentida. Seus olhos não me deixam ficar em paz, podia falar deles por centenas e centenas de páginas. Me sinto muito culpada por sentir que não te faço feliz como você merece, mas tiro isso logo da cabeça porque a culpa sempre me arruinou. Parece que eu te faço um mal que faz bem. Acho que nunca vou conseguir te dizer tudo. Me irrito quando você se esconde, mas sei bem como se sente, porque a gente se conhece, né? O peso nos ombros não parece mais tão pesado assim, porque eu tenho alguém disposto a dividi-lo comigo. O abraço que era da ansiedade agora é seu. Não é mais o mal que me inspira, porque o seu bem é tanto que faz essa merda toda valer a pena. Não te escolho, porque você não me escolheu. Ninguém se escolhe. Só sei que se você quisesse eu te ouviria. Só espero que você exista.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Somebody Loved Me?

   Eu esqueci de procurar um lugar. Esqueci de observar o que passava pela minha frente. E tudo passava, tudo passava de uma vez. Uma confusão, uma tontura, um cheiro diferente, mas tão bom quanto qualquer outro. Eu tinha pensado numa cor estranha, numa cor que eu nunca tinha visto antes. Mas não é a mesma coisa. Nem melhor, nem pior, só diferente. Sem nada dar errado, eu espero algo. Eu sempre espero algo, não sei, sempre tem algo que eu nunca vejo, de que eu nunca participo. Eu vou sentindo, e perdendo os sentidos, e escolhendo o que fazer mesmo sem ter a mínima ideia do que eu to fazendo. Eu não recolho nada, eu deixo tudo me desfazer e me refazer. Porque eu nunca "sou". Eu estou aqui, e eu sou aqui; eu vou pra outro canto e sou esse outro canto. O que é ser? Eu só sei sentir, e eu sinto o tempo todo. 
   A paz pode estar perto, e eu posso me esquivar, fingir que não vejo. Ela pode ir embora e esperar que eu corra atrás dela, e eu fico paralisada, sofrendo por orgulho. Posso correr pra alcançá-la, mas ela não me quer mais. 
É agoniante a incerteza do que se sente. Mas a certeza é ainda mais.

segunda-feira, 25 de março de 2013

Que bonito

"Por um lado creio que vivemos por nós mesmas."
Chego num impulso e faço coisas que nem me conhecia capaz de fazer. Olho pra todo mundo e procuro o que, na verdade, não faço ideia. Um resto de culpa, um vestígio de alguma mágoa mal-curada, o resquício de um rancor insolúvel; só pra não ter a impressão de que sofro sozinha desse mal invisível. Escolho os olhares mais estáticos, porque sei que por detrás deles há uma peça escandalosa, de milhares de atos, tragédias, romances, adagios infinitos. Sei lá, todo mundo só diz a mesma coisa, conversa sobre os mesmos assuntos, faz as mesmas perguntas idiotas. Ninguém para pra conversar sobre algo "profundo", coisa do tipo. Tudo bem que é chato ficar falando de coisas sérias o tempo todo, mas a gente pensa pra isso. É pra isso que serve o pensamento, pelo menos pra mim. Pra entrar ou sair de mim. É triste olhar pros outros e buscar o que esse alguém realmente pensa e não encontrar nada. Não encontrar quem se entregue ao infinito do que é, porque a vida não compensaria em nada se fosse tão finita e sem significados. É babaca demais acordar e passar o dia todo sem uma reflexão.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

What if I do?

   Eu sinto falta de um conforto que não conheço. Olho pra todo mundo e vejo algo que eu não tenho. Mas o que é isso? Será que eu tenho defeito? Defeito sim, mas, será que falta algo de verdade? Dizem que a gente tem que ser a gente mesmo, mas todo dia a gente se perde um pouquinho e rouba um pouquinho dos outros. A gente muda tanto, até se esgotar. Só que a gente nunca sabe quando acabou realmente, nunca percebe que quem a gente é de verdade, talvez não exista mais. Talvez a gente nunca tenha existido realmente. Ninguém. Ser é tudo que a gente pode fazer, sem esperar, sem pedir muito, mas dá uma agonia.
   Há algo novo, desconhecido, uma incógnita; e pra que serviu tudo que eu já conheci? "Se toda minha tristeza me trouxe até aqui, então choraria todas as minhas lágrimas pra ter essa chance novamente." Mas e daí? Se a gente muda tanto, de que vale a experiência? É perda e não é. Eu preciso da certeza que eu sei que nunca terei, e mesmo assim eu busco, faço o necessário, espero se tiver que esperar, mas ela nunca chega. Ela nunca põe a mão no meu ombro e me alivia o desespero. Um desespero silencioso, que às vezes até me esqueço de ter adquirido. Nem me lembro de quando, nem como. Me perturba, nunca vai embora, mas às vezes se cala, me dá ilusão de paz. Misericordioso até. "Vai ficar tudo bem."

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Do you still think that you know?


Now I'm sitting alone
And I'm looking for help
Left here on my own
I'm gonna hurt myself
Many years have gone by
But I'm still wondering why
I ever let the world
Let it bleed me dry

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Sorry

"She stares a lot and looks unhappy. When we're talking, it's as if she's always somewhere else in her mind. And I really think she is somewhere else."

"What would you like?"

"That everything was over. I hurt a lot of people with it. I wish it would stop, but I can't do it."

"Do you blame yourself for that?"

"Yes. I think you can say it's my fault. That's why I try to act cheerful, so people won't worry about me."

"It wouldn't be good either, itf they didn't worry, would it? Right?"


terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Or was that a cry for help?

   Corre do que te salva. Avança sobre o que te destrói pra abreviar o sofrimento causado por si mesmo. Você pinta desespero nos olhos de quem cuida, sofre com os medos alheios. Se busca e só encontra breu. Sente falta da luz e daquela coisa que chamavam de paz, mas que era muito melhor. Atropela a moral, atropela o temor de algo maior, atropela os olhos alheios, pisoteia tudo que respira. A gente precisa voltar pro lugar de onde nunca deveria ter saído. Quando os dias nasciam, eles brilhavam de verdade. Agora é só uma mistura sem significado. Tudo cresce e morre à nossa volta e a gente se esmurra pra sentir algo, porque pro que é bom fomos anestesiados. Queremos destruição como forma de criação, queremos sangue, queremos lágrimas e areia movediça. Terra firme não faz parte do conceito de felicidade. A gente quer o cheiro e a cor, porque o invisível não interessa. O rancor, o ódio, a mentira. A gente quer o ruim pra intensificar os sentidos. Usar e jogar fora. Acende um cigarro pra disfarçar o cheiro da alma podre. 
   Preciso de ajuda.  

domingo, 13 de janeiro de 2013

Don't look at me like that

   Someone so extraordinary fighting their own nature to be ordinary. What a cruel world! I don't see those different colors in your eyes anymore. You're just as empty as I am. Just a pile of broken bones. Lifeless. No urge to make a change. We're gonna lose ourselves in misery, sweetheart. I used to tell myself I'd never let you drown, but how can I stop you from dragging me down? There would be no me if there was no you. You used to be so beautiful. Such a rare masterpiece. Now you're just a waste of effort, and a waste of the time that'll never come back.