segunda-feira, 29 de abril de 2013

26/04/13

O silêncio é cruento
Jogado ao relento
De um abismo escuro
De um medo insólito
Engessado em minhas palavras
Escuto a voz amarga
Roendo minha liberdade
Consumindo-me sem piedade
As histórias sincréticas
Demonstrações histéricas
Do tempo que não veio
Do lúcido devaneio

Nunca

De que modo te acolheram naquela cidade
Inscreveu-se no caos
E esperou a chuva de miséria
Esquerdo e em pranto
Jogo toda vergonha
Pelo dia em que soe puro
Intenso e volátil
Desgraçado e débil
Num frio condensado
Na sorte, no inverno
Escorre o sangue pelas mangas do terno
Eterno terno
Terno eterno 

Father & Son

Silenciosamente amanhece morta
Uma efêmera liberdade
Branca, rígida, exilada
Nunca dita amada
Rapidamente abstinente
Moralmente obediente
Nunca abrangente
Sempre amante
Mitológica, utópica
Essencialmente leviana

terça-feira, 23 de abril de 2013

She's like all the rest


It was raining from the first
And I was dying of thirst
So I came in here
And your long-time curse hurts
But what's worse
Is this pain in here
I can't stay in here
Ain't it clear that?
I just can't fit
Yes, I believe it's time for us to quit
When we meet again
Introduced as friends
Please don't let on that you knew me when
I was hungry and it was your world.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Só um alarme falso

    "Compositor das fases infinitas, do mundo escuro e sem significado, da harmonia mais amarga." 
    Dos seus dedos não saem mais canções, da sua boca só saem facas. De várias formas eu caio e tateio em busca de algo que me levante, mas o que há aqui dentro me puxa pra baixo. Não tanto como antes, mas de alguma forma, esse pessoa existe. Me disseram que eu me cansaria, cresceria e esqueceria disso, mas com o passar dos anos essa coisa só faz aumentar; os meus segredos deixam de ser segredos e as minhas frustrações mais bem guardadas passam a ser reclamações cotidianas. Espero pelo dia em que me livrarei disso, se é que isso é possível. Acho que seria como me livrar de mim, e, bom, eu já fiz isso antes. De início eu perdia a compostura e olhava pros outros como se nunca pensassem como deveria, quando na verdade eu era a errada; sempre fui. Errada, do contra, rebelde. É terrível lutar contra uma opinião e, no futuro, descobrir que ela estava correta. Eu sempre fiz tudo ao contrário mesmo, só nunca vi porque tudo pra mim sempre foi ao contrário. Ao contrário era certo, e o certo era ao contrário. Será? Você nunca me respondeu nada, só planta mais e mais dúvidas aqui. Mas, ah, nem consideraria isso se fosse você; duvido até do meu próprio pensamento. A impressão engana tanto, só que a reflexão é pior, porque no meu caso é quase sempre paranoia. Não queria ser prolixa, mas todo mundo tem seus momentos. (muita conjunção adversativa, pra quê?)
    Eu realmente não sei. Hoje não ta sendo um daqueles dias em que eu crio coisas maravilhosas. Essa citação, por exemplo, foi de algo de quase um ano atrás. Sinto saudade de escrever assim, e, nossa, eu tinha tanta coisa pra falar. Tenho tanto texto perdido, jogado fora, apagado por ter sido escrito pelo motivo errado. Não me arrependo de ter apagado, porque me arrependera de ter escrito, mas tenho certa pena. Ninguém nunca vai ler, e eu nunca vou saber exatamente como eu era e como eu me sentia ao escrevê-los. Escrevia quase todos os dias e os assuntos nunca eram específicos. Na maioria das vezes, me faziam mal. Começava falando de algo que me excluía totalmente, e de repente, a primeira pessoa já tinha tomado conta do texto todo. Isso me irrita até hoje, mas ainda não consigo mudar. Acho que eu tenho palavra demais reprimida. 
    De vez em quando eu choro, mas bem de vez em quando mesmo. Lembro que já tive épocas de chorar todos os dias depois da escola. Bons tempos. Pelo menos naquele tempo eu sentia alguma coisa. Hoje é essa rotina chata, em que nada acontece e em que por mais que a gente se arrisque, nada continua acontecendo. É essa coisinha morna, que deixa a gente confortável, bom, a gente não, porque eu fico mais ansiosa do que o normal. Começo a me mexer mais e a falar mais pra ver se gasto essa energia e se paro de reprimir essa agonia toda. Eu nunca percebi que tinha tudo isso guardado. Desde quando eu tenho me esquecido de dizer as coisas? Deve fazer anos. Não é por mal, nem por desconfiança, é por medo. Eu sempre tive medo, mas nunca soube do que. Agora começo a descobrir, e me sinto meio idiota, mas ao mesmo tempo me agradeço por ter me reservado de muita coisa ruim. Espero que esse medo se torne cautela, porque eu não vou permitir que nada me impeça de fazer o que eu quero. 
    Eu sinto falta de sentir falta de algo. 

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Você podia vir me ver um dia desses

Eu te ouviria se você quisesse. Até diria algumas coisas bonitas pra tirar sua aflição; eu leio muito e até escrevo algumas máximas... a maioria de descrença, sobre como tudo me fez ficar meio cética. De você acreditar em sonhos, bom, que acredite, mas eu não. Todos os dias eu acordei buscando algo que me preenchesse, mas nada parece suprir essa carência minha; tão minha que acho até que é meu destino. Essa insatisfação infinita, que nunca avisou. Por medo de ser pessimista eu a escondo, sabe? Mas pra você não. Você entende... você sempre entende. Eu me escondi muito e por tempo demais. Me perdi em pessoas e lugares que me satisfaziam momentaneamente. Um gosto, uma cor, uma textura, um ou outro deus; que de nada me serviram. Não! Você sabe como eu sou. Até o nada é pra mim experiência. Você me conhece tanto! Às vezes queria que me desse o tempo de sentir sua falta, porque é muito bom matar saudade (se bem que a desgraçada nunca morre), mas sei que te prefiro por perto. Bem perto. Você me confunde tanto e ao mesmo tempo me faz a vida tão clara. Me faz crescer e me conhecer como amante dos paradoxos... nada tem um só lado, não é? Ainda bem que seu sorriso não é caro e seu abraço não é breve. Sua filosofia me deixa meio perdida e suas músicas me deprimem. Você é um dia nublado, daqueles que me deixam com vontade de morrer, mas que lavam toda ardência e indisposição dos dias quentes. Você sabe que eu odeio frio e chuva, mas com você por perto eles não parecem tão terríveis assim. Odeio brigadeiro, mas fica bom quando você faz. Não posso comer muito doce, mas a gente sabe que eu vou comer mesmo assim. Minha mão é sempre gelada e a sua é sempre quente. Não sei, pode ser pressão baixa, né? E essas tonturas... eu me irrito quando me cuidam muito, mas você sabe que no fundo eu gosto. Sabe que eu preciso de cuidado, que canceriano tem natureza carente... e que eu leio horóscopo todo dia e ri da minha cara, tão "lógica" no que acredito e continuo lendo essas palhaçadas. Você é um artista e um psicólogo; às vezes suas técnicas são primitivas, mas eu fico tranquila, porque sei como a gente se aperfeiçoa com o tempo, e como mudam as nossas vontades. Sua arte não pode ser vista, nem ouvida, só sentida. Seus olhos não me deixam ficar em paz, podia falar deles por centenas e centenas de páginas. Me sinto muito culpada por sentir que não te faço feliz como você merece, mas tiro isso logo da cabeça porque a culpa sempre me arruinou. Parece que eu te faço um mal que faz bem. Acho que nunca vou conseguir te dizer tudo. Me irrito quando você se esconde, mas sei bem como se sente, porque a gente se conhece, né? O peso nos ombros não parece mais tão pesado assim, porque eu tenho alguém disposto a dividi-lo comigo. O abraço que era da ansiedade agora é seu. Não é mais o mal que me inspira, porque o seu bem é tanto que faz essa merda toda valer a pena. Não te escolho, porque você não me escolheu. Ninguém se escolhe. Só sei que se você quisesse eu te ouviria. Só espero que você exista.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Somebody Loved Me?

   Eu esqueci de procurar um lugar. Esqueci de observar o que passava pela minha frente. E tudo passava, tudo passava de uma vez. Uma confusão, uma tontura, um cheiro diferente, mas tão bom quanto qualquer outro. Eu tinha pensado numa cor estranha, numa cor que eu nunca tinha visto antes. Mas não é a mesma coisa. Nem melhor, nem pior, só diferente. Sem nada dar errado, eu espero algo. Eu sempre espero algo, não sei, sempre tem algo que eu nunca vejo, de que eu nunca participo. Eu vou sentindo, e perdendo os sentidos, e escolhendo o que fazer mesmo sem ter a mínima ideia do que eu to fazendo. Eu não recolho nada, eu deixo tudo me desfazer e me refazer. Porque eu nunca "sou". Eu estou aqui, e eu sou aqui; eu vou pra outro canto e sou esse outro canto. O que é ser? Eu só sei sentir, e eu sinto o tempo todo. 
   A paz pode estar perto, e eu posso me esquivar, fingir que não vejo. Ela pode ir embora e esperar que eu corra atrás dela, e eu fico paralisada, sofrendo por orgulho. Posso correr pra alcançá-la, mas ela não me quer mais. 
É agoniante a incerteza do que se sente. Mas a certeza é ainda mais.