"Compositor das fases infinitas, do mundo escuro e sem significado, da harmonia mais amarga."
Dos seus dedos não saem mais canções, da sua boca só saem facas. De várias formas eu caio e tateio em busca de algo que me levante, mas o que há aqui dentro me puxa pra baixo. Não tanto como antes, mas de alguma forma, esse pessoa existe. Me disseram que eu me cansaria, cresceria e esqueceria disso, mas com o passar dos anos essa coisa só faz aumentar; os meus segredos deixam de ser segredos e as minhas frustrações mais bem guardadas passam a ser reclamações cotidianas. Espero pelo dia em que me livrarei disso, se é que isso é possível. Acho que seria como me livrar de mim, e, bom, eu já fiz isso antes. De início eu perdia a compostura e olhava pros outros como se nunca pensassem como deveria, quando na verdade eu era a errada; sempre fui. Errada, do contra, rebelde. É terrível lutar contra uma opinião e, no futuro, descobrir que ela estava correta. Eu sempre fiz tudo ao contrário mesmo, só nunca vi porque tudo pra mim sempre foi ao contrário. Ao contrário era certo, e o certo era ao contrário. Será? Você nunca me respondeu nada, só planta mais e mais dúvidas aqui. Mas, ah, nem consideraria isso se fosse você; duvido até do meu próprio pensamento. A impressão engana tanto, só que a reflexão é pior, porque no meu caso é quase sempre paranoia. Não queria ser prolixa, mas todo mundo tem seus momentos. (muita conjunção adversativa, pra quê?)
Eu realmente não sei. Hoje não ta sendo um daqueles dias em que eu crio coisas maravilhosas. Essa citação, por exemplo, foi de algo de quase um ano atrás. Sinto saudade de escrever assim, e, nossa, eu tinha tanta coisa pra falar. Tenho tanto texto perdido, jogado fora, apagado por ter sido escrito pelo motivo errado. Não me arrependo de ter apagado, porque me arrependera de ter escrito, mas tenho certa pena. Ninguém nunca vai ler, e eu nunca vou saber exatamente como eu era e como eu me sentia ao escrevê-los. Escrevia quase todos os dias e os assuntos nunca eram específicos. Na maioria das vezes, me faziam mal. Começava falando de algo que me excluía totalmente, e de repente, a primeira pessoa já tinha tomado conta do texto todo. Isso me irrita até hoje, mas ainda não consigo mudar. Acho que eu tenho palavra demais reprimida.
De vez em quando eu choro, mas bem de vez em quando mesmo. Lembro que já tive épocas de chorar todos os dias depois da escola. Bons tempos. Pelo menos naquele tempo eu sentia alguma coisa. Hoje é essa rotina chata, em que nada acontece e em que por mais que a gente se arrisque, nada continua acontecendo. É essa coisinha morna, que deixa a gente confortável, bom, a gente não, porque eu fico mais ansiosa do que o normal. Começo a me mexer mais e a falar mais pra ver se gasto essa energia e se paro de reprimir essa agonia toda. Eu nunca percebi que tinha tudo isso guardado. Desde quando eu tenho me esquecido de dizer as coisas? Deve fazer anos. Não é por mal, nem por desconfiança, é por medo. Eu sempre tive medo, mas nunca soube do que. Agora começo a descobrir, e me sinto meio idiota, mas ao mesmo tempo me agradeço por ter me reservado de muita coisa ruim. Espero que esse medo se torne cautela, porque eu não vou permitir que nada me impeça de fazer o que eu quero.
Eu sinto falta de sentir falta de algo.