Eu caminhava sozinha no meio daquele bando de gente infeliz que não parava de falar sobre suas vidas miseráveis. Eu pensava na desgraça que tinha passado, nas desgraças que ainda passariam, em tudo que ta acontecendo agora. Talvez eu não mereça nada, mas eu devia me lembrar de que a gente quase nunca controla as coisas e isso de "fazer por merecer" é ridículo.
Não tenho mais nada pra pensar além do que eu sou e do que eu faço, porque não existe presente, é passado e futuro na minha cabeça. O presente é muito vago, muito perigoso. Essas pessoas, quem são essas pessoas? Elas têm suas ocupações, suas famílias, suas responsabilidades, elas têm alguma coisa que eu não tenho. Todo mundo tem algo que eu não tenho. Eu não tenho paz. Achei que já tivesse aceitado e estivesse aprendendo a lidar com essa situação... Essa sensação de que minha cabeça pesa, de que eu vou vomitar, chorar e gritar ao mesmo tempo. Essa sensação de implodir.
Sei que não choro há mais de um mês, e isso é tão bom. Por mais que eu tente ficar remoendo as coisas, minha cabeça não me dá tempo. Tem tudo dado quase certo, mas eu to conseguindo me focar no que realmente deu. É tipo "oh, pensa em coisas ruins, pensa em coisas ruins... não! há coisas boas demais acontecendo, não vale seu tempo pensar em coisas ruins. é passado." e eu volto.
Queria nunca mais ter momentos de crise. Momentos de me perder no que eu penso, ficar desequilibrada, querer destruir tudo que eu construí. Fico pensando no que eu tenho feito da minha vida até agora, às vezes fico triste por ter a idade que eu tenho e não ter feito quase nada que me faça me sentir realizada. Eu consegui tudo que os outros conseguiram, mas eu não sou como os outros... mania. Um dia me disseram que eu consigo enxergar o que muita gente não consegue, e eu já sabia disso, mas foi dito como "você é capaz de descobrir em dez segundos o que pessoas estudam anos e anos pra descobrir a metade"; eu gostei tanto. Acreditei tanto. Só que me fez acreditar ser como todo mundo, porque eu fui enganada de alguma forma. Todo mundo vai ser enganado uma vez na vida, ficar cego, ficar bobo, ficar bem idiota mesmo. Virar um trapo. O que me conforta é saber que eu não me privaria de me sentir assim se soubesse o que viria depois.
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