terça-feira, 1 de outubro de 2013

Câncer

De um dia normal eu faço o inferno
Nos milhares de presentes que existem no passado
Eu habito sem remorso 
De perder meu tempo

Eu perdoo as falhas
Perco as chances de escolher
Derramo as oportunidades e recolho as lembranças
Como quem rejeita a eternidade no paraíso

Entre um gole e outro do líquido
Ouço as vozes de sempre e de nunca mais
Preciso que me ensinem
Preciso que me criem do nada que me tornei

Sorrio e choro no mesmo ato
Encontro meus pertences em frente ao lar
Ao lar dos outros que um dia fui e não mais serei
Recolho os restos de almas indigentes

Percorro a mesma estrada mil e oitocentas vezes
Escrevo os mesmos versos como se nunca os tivesse mencionado
Minhas pernas tremem
Escadas e mais escadas e nenhum meio



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