sábado, 28 de dezembro de 2013

Sei lá

Sei lá.
Você pensa que um corte de cabelo pode resolver todos os seus problemas. Um carro, uma roupa nova. Um bicho de estimação, um livro, um álbum novo daquela banda que tava há uns dez anos sem lançar nada.. mas não vai. O pior não é se enganar pensando que vai resolver e no final não resolver, o pior é saber que tudo, independente do que você faça, vai te preencher por algumas horas, talvez dias, semanas, meses, mas vai passar e você vai estar sozinho de novo. Você sabe que vai.
O mais triste é levantar da cama todos os dias e pensar que você não ta satisfeito. Você sempre vai precisar de algo novo e nada vai te satisfazer, porque você não nasceu pra essa coisa de ser feliz. É pra poucos essa coisa. Não sei, não dá, sei lá, não sei explicar. Você vai se confundir com quem é lá fora e quem é quando ninguém mais está olhando. E se você for quem mais te repugna?
Seus olhos vão se cansar de ver as mesmas imagens, os rostos, as paisagens, as cores dos olhos. Sua cabeça vai desligar sem que você perceba, e de repente você ta sozinho de novo; só com você mesmo. Sua casa não é mais a sua casa, sua casa é um lugar onde você dorme e passa algum tempo de vez em quando. Sua pele não é bem sua... bom, deve ser. Essas mãos que suam enquanto você lê e se encontra, elas não são suas. Nada que você segura com elas é de fato seu. Esse relógio de pulso não te serve pra absolutamente nada, porque nós sabemos que o tempo não existe. Essa sua camisa nova vai ficar desbotada e gasta. A tinta do seu cabelo vai pelo ralo. Os sapatos novos logo sairão de moda, e você vai querer outros. Os amigos vão virar colegas. A pessoa que você ama hoje vai virar souvenir, mais um nome, um telefone, uma foda. Os seus pais vão morrer, assim como você. Sabemos que o desgosto vai te acompanhar, mas será que eles sabem? Ao ver seu rosto pela primeira vez eles sabiam que sua existência não seria feliz. Não por que você tivesse algum defeito, alguma doença, algum problema... mas porque ninguém que nasce de um ventre humano pode ser feliz. Então não é culpa minha, nem de ninguém, nem de nada. É como uma mancha de nascença, que não dá pra tirar nem pra explicar de onde veio, a causa, a origem.

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