quinta-feira, 13 de junho de 2013

Talvez haja um lugar

    Tenho medo de me deixarem antes de me encontrarem de verdade. Medo de esquecerem de qualquer coisa idiota que eu tenha dito, porque eu quero ser levada a sério. Não tão a sério, mas de um jeito compreensivo. Quero ser compreendida e não ser abandonada depois disso. Me parece perigoso deixar tudo tão solto, porque deixando assim eu me sinto presa; impossibilitada de dizer qualquer coisa rude e estúpida, porque é assim que eu quero ser às vezes. Eu quero ser rude, impolida, bem escrota mesmo pra dizer a verdade. Machuca pensar em como eu sou idiota. Eu seria uma pessoa melhor se sentisse raiva invés de pena. Só que não seria eu, e não sei ao certo se quero ser outra pessoa. Porque há quem goste dessa pessoa que eu sou, só que, por que então eu mesma quero tanto negar tudo isso? Talvez eu seja boa pessoa, do meu jeito, sem procurar ser nada, só sendo. Talvez todo mundo seja boa pessoa pra si mesmo e os outros sejam pessoas terríveis.
    Não sei nem como dividir e organizar o que eu to pensando e isso me incomoda de um jeito que não consigo explicar. Não conseguir explicar é o que mais me incomoda. Parece que eu nunca conheço as palavras necessárias pra exprimir tudo, porque eu preciso, é o que eu mais preciso: verbalizar tudo pra que se torne concreto e que, talvez assim, me deixe livre. Eu preciso verbalizar toda ofensa, toda calúnia, toda injustiça que me tira o sono pra que fique em paz comigo mesma. Eu preciso contar, nem que seja pra ninguém, mesmo que ninguém escute.
    É complicado pensar que eu tenha feito algo de errado, é inconcebível pra mim. Eu sempre fiz tudo da melhor forma que podia, sempre calculei tudo pra não machucar ninguém, e se fosse pra machucar, que fosse a mim mesma. Sempre foi assim e não sei até quando vai ser. Me disseram que eu não preciso disso, eu preciso ficar feliz e que os outros não importavam; eu nunca consegui acreditar, nem mesmo tentar algo assim. Não sei, são pessoas; como eu, mas não como eu. É complicado, não sei explicar. Eu penso em como me sentiria se me deixassem, eu penso em como seria doloroso dizer tudo, compartilhar tudo e ser largada como se não fosse nada. Mas eu penso no que fariam por mim, e mesmo sabendo que não me considerariam da mesma forma, eu faço o que parece mais bonito, o que me parece mais justo pros outros. Aí me machuco. Acabo sendo mais injusta do que qualquer um.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Subversivo

Depois de tudo, foi válido
Toda pena e todo medo
Perguntei se tinha perdido a pista
O caminho não me era familiar

Descobri ser um atalho
Uma perspectiva estranha
Um vento fez tudo perder o contato
As estrelas existem afinal.

Não há repulsa nem descrença
Uma tempestade levou tudo embora
Em boa hora

Extenso e manso
Esqueci como se memorizam
A raiva e o rancor

Em que hora 
Queria ir embora
Em boa hora. 

terça-feira, 11 de junho de 2013

Sem dizeres



Sem caminho


Sem                                                    sonho
Sem       desespero
                    Sem                       escuridão
Sem                                 medo
                       Sem                             castigo
Sem                                       dor
      Sem                                             choro
                                                                   Sem                                  frio
Sem                                                                enjoo
Sem                    decepção
Sem                                  hostilidade


Sem mim.

Huh

Adolescence didn’t make sense
A little loss of innocence
The ugly years of being a fool
Ain’t youth meant to be beautiful?

segunda-feira, 10 de junho de 2013

If you still care don't ever let me know

Run away just like it's the first time
Run away like it's you're running for your life
Run away like you're ruining mine
Steal the air from everyone else's chest
'Cause taking's everything you've ever known
Take my time, take my words and wash 'em up with your tears
You know you must give them back to me
You know they'll take something away from you
We all know.


I don't hate you, I'm not angry, nor sad.
I feel sorry for you.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Não sei quem


E lá está Brenda


Se tornando a mais pura das criaturas 
Ou apenas sendo a mais bela delas 
E lá está Brenda
Como aurora boreal Iluminando cada lembrança
Dos que já passaram por sua vida
E lá está Brenda 
Com seu cabelo carmesim
Fazendo barulho Como o crepitar da lenha 
E lá está Brenda.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Dúvida ou dívida

Casa nova
Recém pintada
Sem mobília
Sem identidade
Sem proteção
Sem nada

Nenhum aconchego
Nenhum carinho a oferecer

Ninguém a habita
É visitada vez ou outra

Alguém se interessa
Por pouco tempo

Ninguém a adota como lar.