quarta-feira, 9 de julho de 2014

Misplaced

Eu queria ter um ninho.
Não literalmente, mas um lugar pra onde eu pudesse ir, e dormir, que me acolhesse, que fosse aconchegante e que não me forçasse a nada. Não sei se é um lugar, uma função, um projeto, algo, alguém, que me fizesse sentir como se eu não merecesse adversidade nenhuma.
Talvez já tenha perdido o jeito como se calcula tudo isso, tenha perdido a fineza, o tato. Tudo que eu faço é vazio, sem objetivo, sem início ou fim. Minha mente não se apega a nada que eu veja, leia ou crie, é tudo vão, como se ao sair do plano ideal, o mundo fosse um buraco negro, e meus pensamentos fossem arrancados de mim. A sensação é de que tento me proteger, mesmo sem saber do que estou fugindo. Qual seria o real perigo?
Passar por cima de mim, talvez. Passar por cima do que acredito pra concluir tarefas indecentes e sem propósito. Minha criatividade some do momento em que paro de me dedicar, mas eu... não quero me dedicar a nada. Ta tudo bem monótono e não quero nem ler mais o que eu escrevo. Ta tudo uma merda sem fim.
Me disseram que era inércia, que eu vivo com preguiça, que eu tenho medo de me envolver em algo ou com alguém verdadeiramente porque tenho medo de ser incompetente. Self-loathing? Ta, mas e dai? Queria poder dormir por algumas semanas, fazer falta, não sei. Eles todas se virariam muito bem sem mim, e por que eu continuo pensando que não ficaria nada bem sem eles? Que coisa mais ridícula de se pensar.

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