Acho que nunca mais vou escrever tão bem quanto antes. Não que eu escrevesse tão bem assim, mas algo me virou de cabeça pra baixo e todas as palavras que eu tinha que dizer pro resto da vida foram pelo ralo. Tive que aprender a falar de novo.
Aprendi a pensar de um jeito novo. Eu quero voltar. Eu sinto vontade, mas eu tenho medo. Nunca mais vou sentir como sentia antes, e aquelas palavras, mesmo que eu as escreva novamente, nunca mais vão significar a mesma coisa. Meus amigos não são mais o mesmo, e nem o amor que eu sinto.
O amor que eu sinto não é mais cheio daquela incondicionalidade. É uma merda, porque meu conceito de amor é algo sem limite. Se meu eu de dois anos atrás lesse sobre esse meu amor, acharia um conceito deturpado. Eu descrevo de outro jeito pra não dizer que não amo nada; porque talvez eu nunca tenha nem chegado perto disso. Talvez tudo que eu já presenciei que fosse parecido ao menos com amor, não tenha passado de um relance; nem comparável com a plenitude dessa coisa que tanto falam.
Eu sou tão jovem e não sei de nada, mas, será que eu gostaria de saber?
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Seus pais te deixaram
Amargo como o boldo
No meio do lixo
No meio da rua
No meio da lua
Entrei no beco
Do medo
Encontrei os palhaços
Que tiraram todo riso que puderam
Escondi o que era mais delicado
Violado como a encomenda
Da minha mãe
Sem coragem pra contar
Ferro.
Nasci mas morri logo
Dormi no berço de ouro dos reis
Caí em desuso
Nunca quiseram que eu abrisse os olhos
Mas tive de fazê-lo antes mesmo de ter olhos
Me tiraram.
"É verdade que eu confiarei meus pensamentos ao papel; mas este é um meio muito pobre para comunicação dos sentimentos. Eu desejo a companhia de alguém que os partilhasse comigo, cujos olhos refletissem os meus olhos."
sábado, 25 de janeiro de 2014
Castanhos
Me sinto invisível.
Até mesmo inexistente.
Não queria que importasse tanto assim
Eu to fugindo de apego
Eu to me escondendo de qualquer coisa que pareça bonita
Eu to querendo sumir de todo amor
Vocês não entendem o medo
Vocês não entendem a vontade de morrer
Vocês não entendem a indiferença forçada
Vocês não entendem o interesse mascarado
O tempo todo me vêm à mente tudo que eu perdi
O tempo que eu joguei tudo escada abaixo
O tempo que eu não escondi nada
O tempo em que me humilhar era rotina
Ninguém sabe mais do que eu
Que ser invisível dói mais do que ser odiado.
Ninguém sabe mais do que eu
Que a vida não corre tão rápido pelas veias.
Ninguém sabe mais do que eu
Que tudo não passa de uma farsa.
sábado, 28 de dezembro de 2013
Sei lá
Sei lá.
Você pensa que um corte de cabelo pode resolver todos os seus problemas. Um carro, uma roupa nova. Um bicho de estimação, um livro, um álbum novo daquela banda que tava há uns dez anos sem lançar nada.. mas não vai. O pior não é se enganar pensando que vai resolver e no final não resolver, o pior é saber que tudo, independente do que você faça, vai te preencher por algumas horas, talvez dias, semanas, meses, mas vai passar e você vai estar sozinho de novo. Você sabe que vai.
O mais triste é levantar da cama todos os dias e pensar que você não ta satisfeito. Você sempre vai precisar de algo novo e nada vai te satisfazer, porque você não nasceu pra essa coisa de ser feliz. É pra poucos essa coisa. Não sei, não dá, sei lá, não sei explicar. Você vai se confundir com quem é lá fora e quem é quando ninguém mais está olhando. E se você for quem mais te repugna?
Seus olhos vão se cansar de ver as mesmas imagens, os rostos, as paisagens, as cores dos olhos. Sua cabeça vai desligar sem que você perceba, e de repente você ta sozinho de novo; só com você mesmo. Sua casa não é mais a sua casa, sua casa é um lugar onde você dorme e passa algum tempo de vez em quando. Sua pele não é bem sua... bom, deve ser. Essas mãos que suam enquanto você lê e se encontra, elas não são suas. Nada que você segura com elas é de fato seu. Esse relógio de pulso não te serve pra absolutamente nada, porque nós sabemos que o tempo não existe. Essa sua camisa nova vai ficar desbotada e gasta. A tinta do seu cabelo vai pelo ralo. Os sapatos novos logo sairão de moda, e você vai querer outros. Os amigos vão virar colegas. A pessoa que você ama hoje vai virar souvenir, mais um nome, um telefone, uma foda. Os seus pais vão morrer, assim como você. Sabemos que o desgosto vai te acompanhar, mas será que eles sabem? Ao ver seu rosto pela primeira vez eles sabiam que sua existência não seria feliz. Não por que você tivesse algum defeito, alguma doença, algum problema... mas porque ninguém que nasce de um ventre humano pode ser feliz. Então não é culpa minha, nem de ninguém, nem de nada. É como uma mancha de nascença, que não dá pra tirar nem pra explicar de onde veio, a causa, a origem.
Você pensa que um corte de cabelo pode resolver todos os seus problemas. Um carro, uma roupa nova. Um bicho de estimação, um livro, um álbum novo daquela banda que tava há uns dez anos sem lançar nada.. mas não vai. O pior não é se enganar pensando que vai resolver e no final não resolver, o pior é saber que tudo, independente do que você faça, vai te preencher por algumas horas, talvez dias, semanas, meses, mas vai passar e você vai estar sozinho de novo. Você sabe que vai.
O mais triste é levantar da cama todos os dias e pensar que você não ta satisfeito. Você sempre vai precisar de algo novo e nada vai te satisfazer, porque você não nasceu pra essa coisa de ser feliz. É pra poucos essa coisa. Não sei, não dá, sei lá, não sei explicar. Você vai se confundir com quem é lá fora e quem é quando ninguém mais está olhando. E se você for quem mais te repugna?
Seus olhos vão se cansar de ver as mesmas imagens, os rostos, as paisagens, as cores dos olhos. Sua cabeça vai desligar sem que você perceba, e de repente você ta sozinho de novo; só com você mesmo. Sua casa não é mais a sua casa, sua casa é um lugar onde você dorme e passa algum tempo de vez em quando. Sua pele não é bem sua... bom, deve ser. Essas mãos que suam enquanto você lê e se encontra, elas não são suas. Nada que você segura com elas é de fato seu. Esse relógio de pulso não te serve pra absolutamente nada, porque nós sabemos que o tempo não existe. Essa sua camisa nova vai ficar desbotada e gasta. A tinta do seu cabelo vai pelo ralo. Os sapatos novos logo sairão de moda, e você vai querer outros. Os amigos vão virar colegas. A pessoa que você ama hoje vai virar souvenir, mais um nome, um telefone, uma foda. Os seus pais vão morrer, assim como você. Sabemos que o desgosto vai te acompanhar, mas será que eles sabem? Ao ver seu rosto pela primeira vez eles sabiam que sua existência não seria feliz. Não por que você tivesse algum defeito, alguma doença, algum problema... mas porque ninguém que nasce de um ventre humano pode ser feliz. Então não é culpa minha, nem de ninguém, nem de nada. É como uma mancha de nascença, que não dá pra tirar nem pra explicar de onde veio, a causa, a origem.
segunda-feira, 16 de dezembro de 2013
Blut
Then what if you had devotion? Would it be enough?
You run yur hands through your hair like you know you look good
You don't know shit
Your smile stays wide as I stare at every single part of your face, so I don't miss any line, any dot, any detail
I'll never figure out what took me here
I don't wanna stay awake anymore, but I'd hate to dream
This place smells like strangers
This isn't home!
I don't know how to deal with my figure
I look at myself in the mirror and all I can see is someone I loathe
I must stay around you and it kills me! I don't want that...
I love being around you, but it hurts me when you leave.
Even though I'm not alone I feel lonely and... what if you don't feel the same?
domingo, 8 de dezembro de 2013
Senão
É triste e incrível ao mesmo tempo
Seu cabelo na minha mão
Não sai nem que eu queira
A certeza de que se repete
Não tem ciência
Não tem deus que cure
A deficiência de elos
Entre um corpo e um mundo
Não há diferença de experiência
Nem de compaixão
Nem de história
Só de solidão
Sim e não
Senão
Seu cabelo na minha mão
Não sai nem que eu queira
A certeza de que se repete
Não tem ciência
Não tem deus que cure
A deficiência de elos
Entre um corpo e um mundo
Não há diferença de experiência
Nem de compaixão
Nem de história
Só de solidão
Sim e não
Senão
sábado, 30 de novembro de 2013
Unintended
Eu sei que você odeia essas coisas de textos declarando coisas e sei como você tem preguiça de ler. Eu entendo, eu também tenho, mas não sei usar outras formas pra te deixar saber. (talvez você nunca saiba porque eu às vezes -sempre- não dou conta de deixar transparecer tudo)
Eu tenho dúvidas quanto a mim, tenho dúvidas quando a tudo, tenho dúvidas quanto à gente. Dúvidas do tipo que eu não posso esclarecer, nem você, dúvidas do tipo que eu acho que não têm solução em vida; eu penso muito e acabo estragando todo o encanto das coisas ao meu redor, mesmo o seu, mas quando eu te vejo eu destruo toda desilusão e começo a ser do tipo de pessoa que eu odeio: boba. Eu gosto de gente boba, gente inocente, gente iludida; eu quero ser assim e você me dá tudo que eu quero, mesmo eu sabendo que é errado. Mesmo eu tendo medo de sentir o mesmo horror de um tempo atrás, I don't give a real fuck.
Sabemos que eu não tenho impulso pra continuar as coisas, que eu começo e não termino, que eu me empolgo mas depois tudo perde a graça e eu caio num caldeirão vazio/cheio de ócio. Você sabe que eu sempre me esqueço de como as coisas eram boas, de como eu só me lembro das coisas ruins, de como eu tenho rancor. Às vezes eu queria que você fosse outra pessoa, às vezes eu queria ser outra pessoa, às vezes queria que nós dois fôssemos pessoas diferentes e vivêssemos a mesma história, no mesmo horário, no mesmo dia, da mesma forma. Às vezes eu quero ser você e quero que você seja eu.
Nos tempos de pensar eu sofro e choro, mil coisas passam pela minha cabeça e deixar o que eu consegui é um dos desejos mais fortes. Não é você, sou eu. Sou eu que quero deixar tudo pra trás, é minha vida que não precisa de continuação, são esses capítulos que eu to sem ideia pra escrever... são os meus capítulos; mas quando eu vejo que não consigo realmente -ver- nenhum capítulo sem você, quando eu vejo que -não quero- que você esteja fora do livro, eu...
Eu me desespero e choro, mas também me alegro. Ao menos eu tenho um motivo pra não largar tudo sem explicação. Por mais imperfeito que seja, é um motivo.
(Lovesong lyrics)
domingo, 24 de novembro de 2013
Sincero
Me sinto a pessoa mais feia do mundo. Eu tenho olheiras, cicatrizes, manchas, estrias, gordura. Minha pele é feia, minhas pernas não são como eles dizem que deveriam. Minha postura é impossível, minhas expressões não são graciosas. Eu não falo de forma impecável. Eu falo palavrão, falo o que não devo, falo errado. Eu me sinto gorda, feia, alheia, com medo das pessoas. minha responsabilidade nunca é suficiente e meu compromisso nunca é tão comprometido assim. Eu não quero me amarrar a nada, fujo do que me prende, mas não consigo escapar totalmente. Preciso seguir alguma coisa, ter algum modelo de conduta, sendo que no final eu nem acredito nisso.
Não vou esquecer de como eu fui, de como eu sofri pra ser quem eu sou, de como eu pensei que pudesse por fim a todo esse incômodo de ser pra mim e pros outros. Não vou esquecer do que me disseram, das ligações demoradas de madrugada, do arrependimento e das desculpas embargadas. Não vou esquecer do estranhamento, nem de que sou um enigma. Não vou esquecer dos olhos sem vida, que antes eu achava infantis e que hoje parecem estéreis. Não vou esquecer de toda pena que sinto.
Não acredito que nada possa preencher esse vazio. Se ao menos eu tivesse um deus... um caminho que me garantisse algum motivo pra levantar todos os dias e achar que as coisas são boas, que me mostrasse qualquer objetivo pro meu tempo. Se ao menos eu tivesse algo que me acalmasse por mais de algumas horas...
A verdade é que todo mundo me odeia. A verdade é que as pessoas ficam do meu lado por pena. A verdade é que eu mendigo atenção de todo mundo, que eu não consigo me sentir segura quando sozinha. A verdade é que tudo que eu sou é uma mentira. A verdade é que a verdade não existe.
Dez anos depois desse dia eu não vou nem me lembrar de como eu pensava, de como eu agiria. "Tem coisas muito maiores do que isso, cara." Eu disse isso, eu percebi isso. Eu pensei que a coisa mais importante do mundo era o que todo mundo valorizava, mas a coisa mais importante do meu mundo é isolar esses "fios desencapados".
Eu o sinto como alguém que já morreu, mas que ainda vaga pra atormentar aqui e ali. Um espírito sem rumo, perdido, vagando pelos mundos alheios, de tempos em tempos. Caminhando pelo mesmo solo, o que encontramos? Os mesmos medos. E só.
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