"Por um lado creio que vivemos por nós mesmas."
Chego num impulso e faço coisas que nem me conhecia capaz de fazer. Olho pra todo mundo e procuro o que, na verdade, não faço ideia. Um resto de culpa, um vestígio de alguma mágoa mal-curada, o resquício de um rancor insolúvel; só pra não ter a impressão de que sofro sozinha desse mal invisível. Escolho os olhares mais estáticos, porque sei que por detrás deles há uma peça escandalosa, de milhares de atos, tragédias, romances, adagios infinitos. Sei lá, todo mundo só diz a mesma coisa, conversa sobre os mesmos assuntos, faz as mesmas perguntas idiotas. Ninguém para pra conversar sobre algo "profundo", coisa do tipo. Tudo bem que é chato ficar falando de coisas sérias o tempo todo, mas a gente pensa pra isso. É pra isso que serve o pensamento, pelo menos pra mim. Pra entrar ou sair de mim. É triste olhar pros outros e buscar o que esse alguém realmente pensa e não encontrar nada. Não encontrar quem se entregue ao infinito do que é, porque a vida não compensaria em nada se fosse tão finita e sem significados. É babaca demais acordar e passar o dia todo sem uma reflexão.
"É verdade que eu confiarei meus pensamentos ao papel; mas este é um meio muito pobre para comunicação dos sentimentos. Eu desejo a companhia de alguém que os partilhasse comigo, cujos olhos refletissem os meus olhos."
segunda-feira, 25 de março de 2013
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013
What if I do?
Eu sinto falta de um conforto que não conheço. Olho pra todo mundo e vejo algo que eu não tenho. Mas o que é isso? Será que eu tenho defeito? Defeito sim, mas, será que falta algo de verdade? Dizem que a gente tem que ser a gente mesmo, mas todo dia a gente se perde um pouquinho e rouba um pouquinho dos outros. A gente muda tanto, até se esgotar. Só que a gente nunca sabe quando acabou realmente, nunca percebe que quem a gente é de verdade, talvez não exista mais. Talvez a gente nunca tenha existido realmente. Ninguém. Ser é tudo que a gente pode fazer, sem esperar, sem pedir muito, mas dá uma agonia.
Há algo novo, desconhecido, uma incógnita; e pra que serviu tudo que eu já conheci? "Se toda minha tristeza me trouxe até aqui, então choraria todas as minhas lágrimas pra ter essa chance novamente." Mas e daí? Se a gente muda tanto, de que vale a experiência? É perda e não é. Eu preciso da certeza que eu sei que nunca terei, e mesmo assim eu busco, faço o necessário, espero se tiver que esperar, mas ela nunca chega. Ela nunca põe a mão no meu ombro e me alivia o desespero. Um desespero silencioso, que às vezes até me esqueço de ter adquirido. Nem me lembro de quando, nem como. Me perturba, nunca vai embora, mas às vezes se cala, me dá ilusão de paz. Misericordioso até. "Vai ficar tudo bem."
Há algo novo, desconhecido, uma incógnita; e pra que serviu tudo que eu já conheci? "Se toda minha tristeza me trouxe até aqui, então choraria todas as minhas lágrimas pra ter essa chance novamente." Mas e daí? Se a gente muda tanto, de que vale a experiência? É perda e não é. Eu preciso da certeza que eu sei que nunca terei, e mesmo assim eu busco, faço o necessário, espero se tiver que esperar, mas ela nunca chega. Ela nunca põe a mão no meu ombro e me alivia o desespero. Um desespero silencioso, que às vezes até me esqueço de ter adquirido. Nem me lembro de quando, nem como. Me perturba, nunca vai embora, mas às vezes se cala, me dá ilusão de paz. Misericordioso até. "Vai ficar tudo bem."
terça-feira, 29 de janeiro de 2013
Do you still think that you know?
Now I'm sitting alone
And I'm looking for help
Left here on my own
I'm gonna hurt myself
Many years have gone by
But I'm still wondering why
I ever let the world
Let it bleed me dry
quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
Sorry
"She stares a lot and looks unhappy. When we're talking, it's as if she's always somewhere else in her mind. And I really think she is somewhere else."
"What would you like?"
"That everything was over. I hurt a lot of people with it. I wish it would stop, but I can't do it."
"Do you blame yourself for that?"
"Yes. I think you can say it's my fault. That's why I try to act cheerful, so people won't worry about me."
"It wouldn't be good either, itf they didn't worry, would it? Right?"
terça-feira, 15 de janeiro de 2013
Or was that a cry for help?
Corre do que te salva. Avança sobre o que te destrói pra abreviar o sofrimento causado por si mesmo. Você pinta desespero nos olhos de quem cuida, sofre com os medos alheios. Se busca e só encontra breu. Sente falta da luz e daquela coisa que chamavam de paz, mas que era muito melhor. Atropela a moral, atropela o temor de algo maior, atropela os olhos alheios, pisoteia tudo que respira. A gente precisa voltar pro lugar de onde nunca deveria ter saído. Quando os dias nasciam, eles brilhavam de verdade. Agora é só uma mistura sem significado. Tudo cresce e morre à nossa volta e a gente se esmurra pra sentir algo, porque pro que é bom fomos anestesiados. Queremos destruição como forma de criação, queremos sangue, queremos lágrimas e areia movediça. Terra firme não faz parte do conceito de felicidade. A gente quer o cheiro e a cor, porque o invisível não interessa. O rancor, o ódio, a mentira. A gente quer o ruim pra intensificar os sentidos. Usar e jogar fora. Acende um cigarro pra disfarçar o cheiro da alma podre.
Preciso de ajuda.
domingo, 13 de janeiro de 2013
Don't look at me like that
Someone so extraordinary fighting their own nature to be ordinary. What a cruel world! I don't see those different colors in your eyes anymore. You're just as empty as I am. Just a pile of broken bones. Lifeless. No urge to make a change. We're gonna lose ourselves in misery, sweetheart. I used to tell myself I'd never let you drown, but how can I stop you from dragging me down? There would be no me if there was no you. You used to be so beautiful. Such a rare masterpiece. Now you're just a waste of effort, and a waste of the time that'll never come back.
quinta-feira, 20 de dezembro de 2012
By summer it was all gone
Queria um dia acordar e ver que algo depende de mim. Que há coisas que podem ser modificadas se eu levantar ou deixar de viver naquele dia. É todo dia uma derrota sem luta nenhuma, porque não há pelo que lutar. Não depende de mim, não vai mudar de curso se eu insistir ou só decidir não levantar naquele dia. Aliás, naquele e em todos. Dizem que a gente nunca é totalmente independente, mas não dá pra pensar que algo depende de mim. É a sensação de nunca fazer falta, de que nada seria diferente se não estivesse aqui. É mais do que impotência, é tipo invalidez, superficialidade. Só qualquer coisa desnecessária.
Cada dia tem seu peso e sua frustração, mas nunca é livre disso. Parece que nunca nenhum tipo de alegria momentânea ou surpresa podem anular essa carga. É como os dias serão lembrados, porque as coisas boas eu tenho facilidade em esquecer. Não tenho culpa, é só algo com que me acostumei.
Se mudasse, se deixasse de fazer o que faço, deixasse de frequentar os lugares que frequento, deixasse de ver as pessoas que vejo, deixasse de vestir o que visto, deixasse de ouvir o que ouço, o que mudaria? Faria diferença pra alguém? Só pra mim. E por algum motivo muito idiota e ridículo, eu não tenho capacidade de viver só por mim. Não consigo pensar que é só isso, que a minha felicidade depende só de mim, que eu consigo sozinha. Eu nunca consegui, e eu nunca pensei valer o suficiente pra que alguém vivesse por mim, nem mesmo eu mesma. Não gosto, mas não consigo pensar de outra forma.
Tem quem diga que "ah, não consigo é coisa de gente pessimista", não discordo, mas vou fazer o que? "Você tem que mudar", é claro que eu tenho que mudar, mas agora? Hoje? Amanhã? Ano que vem? Não é assim. Nunca foi assim. Toda mudança foi lenta, e sempre doeu. Mas só fez diferença pra mim.
Ninguém nunca vai perceber o esforço, nunca vai perceber o quanto eu dedico tempo, o quanto eu penso e repenso milhões de vezes pra dizer qualquer coisa, por mais simples que seja. Eu busco as melhores formas de fazer tudo pra não machucar os outros, mas e eu? Quem dera alguém se vigiasse por mim.
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