quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

O gigante com medo de agulha

   Era um dia como todos os outros. Um dia sem doces nem cerimônias. O céu parecia entediado, mas não se incomodava a ponto de mudar; assim como todo mundo. Bom, ao menos ele não era vazio, cheio apenas de si mesmo. Até que as mãos dos artistas resolveram discordar de tudo. A sanidade dos que passavam pelo centro era perturbada por aqueles movimentos secos, rudes, porém tão estupidamente emotivos. A revolta de um povo incompreendido, que parecia nunca fazer questão de receber compreensão, porque era ciente da insipiência dos céticos, mas que necessitava de dedicação, como todo ser humano. Ainda que em sua excentricidade e romantismo, há sempre a inocência e a carência de uma criança; há vários mundos diferentes acomodados nos olhos de um alguém qualquer, que passa discretamente, dificilmente fazendo diferença na rotina de alguém. Se soubessem a diferença que fazem.
   Não é tão difícil assim parar para ouvir, o problema é querer ver. O mais bonito que existe, não tem prova visual. Sensações e sentimentos não podem ser vistos, descritos com fidelidade, arrancados, implantados. Assim seria muito fácil, mas tão tedioso. É exatamente como essas pessoas no centro: não têm nome, não têm rosto, não têm endereço, não têm história pra quem não se atenta a isso. São apenas pessoas. E você, e eu, e todo o resto. São apenas pessoas. Pessoas que sentem tanto que não sabem explicar; e as que não sentem, e as que fingem não sentir. São apenas pessoas. Sem o "apenas".

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