É um ócio chato. Acordar e olhar pras obrigações e continuar sendo a mesma pessoa. Mesmo com o dia corrido, é uma monotonia brutal. Olhar em volta e ver as mesmas pessoas no mesmo cenário mórbido: assim como eu, não compreendem de onde vêm, não compreendem o porquê de estarem aqui e não fazem ideia do próximo segundo. Cansei de buscar a escolha e espero que ela seja feita por mim. Espero às vezes que ela se faça à minha frente e me obrigue a seguir o curso. Não tive muito tempo, agora parece que terei a vida inteira. A vida inteira não me parece um tempo agradável. Aprender a vida inteira, me aperfeiçoar a vida inteira quando tudo que eu queria era estagnação. Um momento de "paz" em que a catarse durasse para sempre e que não houvesse vida que sufocasse minha digressão e me obrigasse a explodir em compreensão. Uma vida inteira livre pra pensar e concluir o que não tem explicação. Não dá vontade de rasgar esse véu. É tão confortável sentar num cantinho qualquer e pensar, ou só se distanciar do mundo mesmo, sem ter que filosofar muito sobre o que vai acontecer no futuro. Sentar e pensar em coisas surreais, nunca revelá-las, nem ao papel, nem às teclas, nem a nada. Só a si mesmo. Revelar a si mesmo a essência de algo que não pode ser corrompido, porque não tem como corromper algo que não sai da gente. Não tem como nada ser mal interpretado quando nunca sai da gente. Às vezes a gente mesmo se interpreta errado, mas é a nossa má interpretação sobre nós mesmos, não é fruto do pensamento alheio ao que a gente criou. O pensamento alheio sobre o que a gente cria raramente importa. A menos que não estejamos certos do que é nosso de verdade.
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