sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Maior das décadas

É como se as coisas ficassem claras e mais claras a cada segundo. As cores se revelam em tonalidades diferentes, parece tudo mais vivo. E quando eu tinha certeza? Bom, nada parecia rude o suficiente para abalar o que eu sentia. Dá vontade de correr pro ontem e segurar no primeiro poste que encontrasse, como se o tempo não pudesse me carregar se me agarrasse a algo bem fixo. Algo bem resistente aos movimentos de tudo. Daria pra ver tudo passando em volta, tudo escorrendo pelos meus dedos, o vento balançando no meu cabelo e levando embora o que eu tinha que presenciar. Será que eu tinha que presenciar mesmo?
Fico pensando se lembra de mim. Faz tantos verões, tantos fôlegos, tantos cortes de cabelo. A gente andava sempre junto, sempre recolhendo as falas um do outro e guardando em alguma caixa colorida; eu ainda tenho a minha. Tinha tempos em que carregávamos nos braços por onde passávamos, tempos em que olhávamos pra um passado e pensávamos em como era bom. E hoje não existe caixa nenhuma. O que eu não faria pra te ver de novo.
Todo mundo sempre foi mais maduro e mais certo das coisas do que eu, e você foi a primeira pessoa que fez com que eu realmente visse isso. Não me mostrou, mas eu vi. Foi a primeira vez que não me senti boa o suficiente. A primeira de muitas vezes.
Você não mudou muito, nem eu. A gente continua no mesmo espaço, no mesmo mundo, vivendo o que a gente sempre viveu. E a gente se evita como se fosse doença. A gente se culpa por ter feito mal uma à outra, mas ninguém se pronuncia. Eu sei lá o que você sente. Você não faz falta, é só um lamento. Um pensamento de que podia ser diferente.

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