Tinha marcado os passos e observaria todo lugar que pisasse, mas não foi possível. Em algumas horas perdia o rumo daquela trilha sombria, saía da zona de conforto e precisava procurar algum lugar para esperar a escuridão passar. Não havia como compreender aonde chegaria, porque não conhecia sequer de onde vinha. Pisava naquelas pedras pontiagudas e me feria, mas não podia parar, porque minha vida dependia daquilo. E que vida? Eu tinha tudo, mas por dentro, sempre por dentro. Guardava um demônio e um anjo, o primeiro sempre dominando o segundo, e dominando o que eu fazia. Eu me mataria.
A todo tempo ouvia vozes e mais vozes, sempre as ouvia, mas nunca aprendera a realmente escutá-las. Talvez nem me importassem. Eu sempre senti frio e nunca soube controlar impulsos. Era um movimento aqui, e já tinha outro ali, sem que eu nem percebesse que me movera. Eu me mataria. Como poderia um homem controlar sua mente, se não podia nem censurar seu corpo? Já flagrara-me nas piores situações, sem meu comando, e quem comandava era ele; sempre ele. Não dizia-me o que fazer, não pedia permissão, ele tinha o controle. Eu odeio tê-lo sobre mim, mas que posso fazer?
São batalhas e mais batalhas, mas como vencer com mãos perdedoras? Meu corpo não é boa arma de guerra, e não quero doá-lo para tal. Só um jovem miserável, crente de que o que o perturbava era si mesmo. Acho que consigo ver hoje que ninguém se odeia. Pena que todas as vezes que fico sozinho, eu quero morrer. Sozinho, sempre sozinho. Sozinho. Eu a quero de volta. Aquela. Que eu não conheço. Que não existe. Eu odeio o jeito como ela me julga. Não dá pra entender nada não é?
Eu tenho pena às vezes, mas tenho mais pena de mim mesmo. Afinal, ninguém sente mais dor do que eu. Dor. "Dod". Legal.
Eu queimo num inferno que eu mesmo construí. Numa cama de pregos que perfuram minhas costas. Sangue e mais sangue. Por fora não dói, é por dentro. O problema nunca é por fora. Porque falta coragem, é isso. Por isso. Eu me mataria. Mas não a ele.
Queria escrever que nem você. Seus textos são muito bons, me dão até arrepios, e eu me identifico muito com eles. Queria que meu blog fosse tão bom que nem o seu <3
ResponderExcluirCara, obrigada. Nem sei como reagir quando alguém diz que meus textos são bons, porque, sei lá, costume? HAHA. Mas sério, valeu mesmo. <3
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